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Carta a um Filho da Puta

Caro Vizinho:

Fui ontem autuada em € 102,00 por reboque e tempo de estacionamento no parque da polícia no Restelo e em € 60,00 por multa de estacionamento do meu pequeno Hyundai i10 em lugar concedido a um lugar de estacionamento para viatura de deficiente, ou seja, paguei um total de € 162,00 para reaver o meu bem, o meu indispensável carrito branco.

Com esta carta, admire-se caro Vizinho, não venho encetar nenhum tipo de hostilidade, venho antes agradecer-lhe. Agradeço-lhe a simpatia de ter chamado o reboque às 00h45 de dia 20 de setembro para arrastar o pequenote da transgressão que cometia pois, foi esse episódio que me permitiu uma ida até ao Restelo para reaver o meu baixinho, lugar não visitado já há algum tempo e digo-lhe, foi um regalo para os meus olhos, um deleite, o vislumbre daquele azul ferrete do nosso Tejo enquanto descobria com a tranquilidade domingueira a Rua Gregório Lopes (pode ser que um dia destes também precise). Agradeço-lhe igualmente o cuidado com que promoveu a vigilância da nossa rua, (sim, também moro na Rua XYZ ), na noite de 20 de setembro, chamando a polícia e trazendo os nossos guardiões públicos até ela, o que, certamente, afastou os eventuais malandros que por aí andam e quiçá se preparavam para lhe roubar o “autocarro” que estaciona na nossa rua. Perdoe-me chamar “autocarro” ao seu rico jeep tão desportivo e com tração às 4 rodas, não o quero depreciar de forma nenhuma, mas é que ele, não sendo um mastodonte, ocupa dois lugares de estacionamento na cada vez mais diminuta área de parqueamento da nossa rua. Dois lugares, caro Vizinho! Desculpe-me a ousadia da pergunta, mas não lhe parece um exagero?

Mas não me fico por aqui nos meus agradecimentos, há um especial e que por ser especial e ter sido o resultado de um comportamento tão delicado e corajoso, deixo para último lugar. Não me esquecerei da sua amabilidade em baixar os olhos e se manter silencioso quando, na manhã de dia 20 de setembro me dirigi ao seu “autocarro” e perguntei a um seu familiar ou amigo se tinham visto um carrito branco ali estacionado com uma das roditas no alcatrão que a benevolente CML lhe concedeu. O seu amigo ou familiar referiu por 2 vezes que tinha acabado de chegar e o senhor caro Vizinho, sentadinho dentro do jeepão, baixou os olhos e com eles baixos e sem proferir uma palavra, disse-me tudo. Obrigada pela declaração. Sabe caro Vizinho, obrigou-me a usar o telefone e os vários números dos serviços públicos que o Estado que nos governa tem criado para ajudar os cidadãos aflitos. Funcionam bem, estou contente por ter sido bem atendida, por saber que os impostos com que taxam os rendimentos do meu trabalho estão a ser bem empregues, que há pessoas educadas e folguei em saber que a polícia só vem rebocar carros quando chamados por cidadãos escrupulosos.

Tanta coisa boa que vivi e aprendi ontem, tudo porque deixei uma rodita do meu carro, apenas uma, no “seu” alcatrão.

Apesar da deficiência que o atormenta desejo-lhe as maiores felicidades, caro Vizinho,

Maria de Lisboa

Lisboa, 21 de setembro de 2015

Em anexo: fotografia alusiva ao passeio até ao Restelo

Multa  jeep

(nota 1: carta deixada no para-brisas do jeep do fulano no dia 21 de setembro de 2015; nota 2: nunca dei conta de nenhuma deficiência visível no fulano; nota 3: o jeep não tem dístico de carro de deficiente)

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«O Passos Coelho também era pobre?»

pergunta a menina filha de emigrantes portugueses da escola no Luxemburgo.

passoscoelho

e responde o bacoco do Crato, que não, que não era, que achava que não era, com os presuntos atrás das costas integrado numa comitiva de ar salazarento.

e depois o Coelho a dizer que o pai era médico e a mãe enfermeira, e a criança a retorquir-lhe que a mãe em Portugal trabalhava em 6 cafés, sabe lá a miúda o que é ter um pai médico e uma mãe enfermeira, se o que ela viu foi a mãe a fazer as malas para sair de uma terra ingrata, governada por uma corja de incompetentes e aproveitadores.

Estive no Luxemburgo há uns 4 anos e portugueses há-os por todo o lado, feios, feios, feios, nunca vi portugueses tão feios como no Luxemburgo, perdoem-me malta, mas só vi feios, deve ser do clima que está sempre pardacento e merdoso e vos faz macilentos. Mas o que têm de feios têm de bom coração, de simpatia e de cordialidade. Depois, trabalham de sol a sol, é ou não é pessoal? É de noite e dia e o dia lá acaba cedo porque não abunda sol por aquelas bandas, é nos táxis, nos supermercados, nas lojas disto e daquilo, nos guichés dos bilhetes, nas portarias das salas de espetáculos, nos autocarros, há portugueses por todo o lado e fala-se português em qualquer rua, em qualquer sala, em qualquer transporte.

«em Portugal apesar de tudo as coisas têm vindo a melhorar», diz o idiota aos portugueses do Luxemburgo que não são parvos e só lá estão porque as coisas em Portugal, sobretudo, têm vindo a piorar!

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Menstruação

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ontem, as ações da PT chegaram a perder quase 30%, caíram pela 1ª vez abaixo de 1€  e um analista dizia que: “pelo facto de o tribunal [do Luxemburgo] ter rejeitado a proteção de credores à Rioforte é um sinal que a Portugal Telecom poderá não recuperar o montante da dívida” e esta puta da Ministra das Finanças diz hoje: “Não vejo como o BES pode ter impacto na economia”. 

Nosso Senhor a castigue com uma menstruação monumental e dolorosa!

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“Espero que aqueles que fazem as acusações possam publicamente comprovar” (PePaCo)

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A Celeste é mãe solteira. Nunca gostou da filha. Nem do neto. Namora com garotos desde os 15 anos. Compra-lhe os iogurtes do sabor que eles querem e grita com eles ao telefone. Dorme com os gatos a quem chama gatinhos, mais os garotos.

Ouvido no metro a uma rapariga que falava ao telemóvel: – “Amor, estou nos Anjos. Queres vir cá ter comigo?”

A Preta que limpa as casas de banho aqui no trabalho toma café da máquina dos empregados, sentada no balde das lavagens ao lado de uma das retretes. Vejo-a quando vou mijar, na retrete ao lado.

O Eduardinho tem 36 anos. Já é chefe mas vive na casa dos pais com a irmã que também é crescida. Não tem namorada e ainda não fez nenhum filho. Semanalmente faz e distribuiu um jornal eletrónico com as novidades da liga de futebol do departamento. Chama-lhe Pasquim.

O Barata é daqueles homens que tem cócegas nos tomates algumas vezes por dia. Às vezes levanta-se do lugar e espicharra a pila e o resto do corpo como se se estivesse a espreguiçar. Outras, desaperta o cinto, baixa as calças e ajeita a camisa para dentro. Vejo-lhe sempre a cor das cuecas.

 

Música: Forbidden Colours