Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Cantava isto no coro da igreja. Cantei até fazer o Crisma, aí com 15 anos. Fui católica praticante até aos 42 anos de idade.

Hoje não sou nada. Distanciei-me. Não acredito, não professo. Os meus filhos seguiram-me por arrasto e parecem não me cobrar pelo súbito afastamento. Tenho quase a certeza que nunca acreditei, praticava pelo acto de praticar e porque me deram uma educação de rigor católico. Normalmente sentia-me bem, relembro os meus momentos na igreja, nas missas e celebrações, com alegria até. Rezava e confessava-me pelo menos duas vezes por ano contudo, nunca fui convicta a ensinar os meus filhos a rezar. Percebi mais tarde que foi precisamente esse, o primeiro sinal da minha ausência de fé. Um professor que não consegue ensinar, ou não percebe nada da matéria ou não acredita nela.

Os católicos têm realmente uma coisa que os outros não têm: acreditam. Saber acreditar é muito mais do que simplesmente confiar que existe um Deus Todo Poderoso a olhar por nós. Saber acreditar é ter esperança e quem tem esperança, espera. Ter algo ou alguém para esperar ainda que não chegue, é muito melhor do que não saber sequer o que é esperar. E isso não é para todos, só alguns eleitos o conseguem. Admiro-os.

A minha mãe, desmesuradamente crente, arrepia-se comigo. Sei que se sente absolutamente falhada com ela própria, pela semente que lançou à terra árida da filha, com a vida ateia e agnóstica que levo. O meu pai está-se nas tintas.

Quando o meu marido estava a morrer chamei um Padre para lhe dar a extrema-unção, todos os meus amigos católicos apareceram e assistiram ao acto. Eu, saí do quarto e estou convencida que naquele instante me candidatei a entrar no inferno. Claro que o inferno está na terra e a putice da minha procissão ainda vai no adro.

Hoje, quando entro numa igreja faço como antigamente via fazer aos turistas: olho os tectos, as talhas douradas, os candelabros, tiro fotografias e venho-me embora. Sinto-me uma ingrata, tenho um peso na consciência e a certeza que não volto para mais nenhum Jesus Cristo. Sou esclarecida e uma terra queimada, aqui já não nasce nada.

Gostei deste Francisco primeiro que acabou de chegar ao mundo como Papa. Gosto da oração do Pai-Nosso, é assim uma espécie de Grândola Vila Morena e ele rezou-o. Depois, não trazia as mãozinhas postas como o Ratzinger-Opus-Dei que me metia nojo. Não sei porquê mas a imagem branca e serena do argentino na varanda fez-me chorar. Talvez sejam as hormonas, quem sabe lá…

10 thoughts on “Oração de São Francisco

  1. não acompanhei nada do processo, como nunca acompanho conclaves na verdade. ouvi qq coisa no tuitas.
    ontem quando fui ao talho comprar o jantar, enquanto me arranjavam lá umas coxas de galo recheadas com alheira enroladas em bacon, sim, antes no talho que na pharmácia, fui tomar um café, e vi a xôdôna judite, na TVI, a debitar merda pela boca fora que nunca mais parava.
    quis saber quem tinha “ganho” a coisa.
    não consegui tal era a quantidade de esterco que a fulana debitava por segundo.

    estava com um amigo portanto os assuntos eram outros.
    para mim, a questão do papa resolveu se quando o nazi que lá estava se foi. pior não poderia vir.

    se a ti Luisa te causa algum conforto, isso basta me. és sensivel e Mulher. chega me pra ficar ssossegado. distribui essa esperança na medida das tuas possibilidades. porque vamos todos precisar.
    de acreditar.

    a fé? não sei o que é. sei que tem um preço.

    obrigado

    paulo

    1. (mudaste o email? tive q aprovar isto)

      Paulo:
      não tenho fé nenhuma, nem em Deus, nem no Diabo, nem nos homens, nem nas mulheres. não acredito em nada, nem em mim própria. mas penso nestas coisas percebes? quando um homem chega a uma janela e tem milhares de pessoas cá abaixo aos saltos de alegria isso faz-me pensar, percebes?

      depois tenho esta minha história de meia vida em que andei lá metida. meia vida não se deita fora, caramba!

      enfim, coxas de galo recheadas com alheira e enroladas em bacon, parece-me um pecado. que bomba proteica e lípida. praticamente só como verdes, estou muito mais leve, magra e a tornar-me uma vaca. (isto dito assim, à bruta, parece mesmo mal)

  2. claro que não se deita fora a vida, nem partes dela.
    estás numa situação previligiada para avaliar as coisas.
    eu só estava a referir, que fiquei “descansado” com aquilo que te pareceu.

    bem, desculpa lá o pecado das coxas :D mas é só de vez em quando! :P

    e não. não mudei de email. tenho o mesmo há anos. desde q existe gmail.

    eu acredito na força das pessoas. acredito que nos podemos ultrapassar a nós mesmos. mas tambem tem dias :)
    é a diferença prá fé. quando pagas para acreditar, acreditas sempre.

    eu acho que aquela gente, a grande parte, paga para ir bater palmas.
    inda ontem vi o padrinho III ;)

    estás a falar com um gajo que entra em igrejas para fotografar.
    que gosta de esculturas de santos etc..

  3. Muito interessante… quem é galo não é santo se em outras suas coxas se regalam; “brincadeirinhas” das palavras… :-)
    Para mim são o mesmo, a fé e a sua falta. Quando minhas, durmo e acordo todos os dias com elas, e isso me basta. Quando dos outros, é tudo muito mais complexo e são intermináveis as tentativas de compreensão que em vida fazemos e refazemos. Inegável, aparentemente, é que as minhas são dos outros dependentes, ou nem existiriam. “Menino estás à janela”, como outros incontáveis fenómenos de rostos, pelos mais diversos motivos (uma bola, por exemplo…), dão-nos sempre que pensar… ou, verdadeiramente, não existiríamos.
    Vamo-nos de verde e leves, magros de pre-juizos! Como vacas, também! :-)

  4. Também gostei do Francisco I. Aquele silêncio de quem chegou ao balcão de S. Pedro e pensou para consigo mesmo ” e agora”?
    Abraço.

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