Toxicodependência

a-toxicodependencia-e-uma-doenca[1]

Estou a assistir de perto ao desmoronar de uma família convencional, tradicional, normal , nacional, daquelas famílias de gente correcta, valor seguro que pode viver perto de nós, tudo porque, um rapaz de 18 anos que é irmão, filho, sobrinho, primo, neto, se meteu com a droga. Está agarrado.

Já os vi passar pela fase do «deixa lá», «é normal», «coisas de adolescência», pela fase de o acharem «estranho», «mal-educado» e «desleixado», pela fase incrédula «não, ele não se metia nisso», pela fase de «ele fuma!?», «ele, bebe!?», rapidamente chegaram à fase de, «eu não posso tolerar isto, ele que faça a vida dele», depois a fase do «esconder», os pais a escondem a gravidade do problema da restante família, depois a fase de achar que um «psiquiatra» resolve o caso em três tempos, depois a fase de o safarem a «a um acidente de mota», depois a fase das cenas «de agressividade», a fase do «desaparecimento de objectos de casa», a fase de encararem «uma ressaca por falta de droga», a fase de o ouvirem «chamar puta, à mãe porque o mandou tomar banho», a fase do «não saber dele» e, observo-os agora na fase de, já completamente destroçados, se «unirem, finalmente, enquanto família para timidamente discutir» o que poderão fazer por aquele irmão, filho, sobrinho, primo, neto.

O que um único, agora débil, ser humano em modo de destruição pode fazer a um conjunto de familiares e amigos? Quanta devastação pode provocar nas outras vidas que o rodeiam e o amam?

É impressionante a dificuldade súbita que é criada, pela existência de um elemento toxicodependente, a um núcleo familiar que viva com normalidade. A vergonha imensa que todos sentem. A culpa constante que os assalta. As acusações que levantam a cada um. A raiva de tamanha desgraça ter acontecido. E no final do dia, porque os dias passam a ser blocos fastidiosos de horas a passar, soçobra uma angústia cortante que os leva a intentos de se lhe dar um fim. Um fim para não se ver mais, um fim para matar uma esperança que não tem hipóteses de sobreviver.

(um abraço grande, apertado. muita força, meu querido)

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