BANIF – Roxos ficamos nós

(José Manuel Coelho conta o que sabe)

Para que não passe despercebido a ninguém, para que ninguém julgue que tem mesmo de ser assim, para que saibam que não temos que aceitar o facto como consumado, para que percebam que isto é somente pôr a funcionar, e parafraseio o Papa, o «sistema capitalista desregulado», para que abramos os olhos e percebamos que o dinheiro que se injecta nos bancos comerciais, e um banco comercial não é nada mais nada menos do que uma empresa, tal qual uma empresa que fabrica sapatos, sanitas ou têxteis, é dinheiro emprestado a Portugal por credores com quem foi negociada uma taxa de juro, normalmente mal negociada, para que ninguém se esqueça que, o pagamento de juros+capital num país desenvolvido seria feito à conta do seu PIB e das poupanças acumuladas mas que num país como Portugal é exclusivamente feito à conta da cobrança exagerada de impostos, para que se ligue o sinal de alerta por que, o pagamento exagerado de impostos que se pratica em Portugal significa a diminuição de liquidez de cada um de nós e que, essa diminuição, nos impede de conseguirmos poupar, investir, ou pagar as nossas responsabilidades, para que ponhamos em causa a hipotética teoria de que «temos de salvar o BANIF para salvar o sistema financeiro nacional», para que não continuemos a ser carneiros e levemos em cima das nossas vidas com a tecnocracia cega dos organismos europeus que nos regem, fica o texto do Pedro Tadeu que, com mais substância, consolida o que acabei de escrever e nos conta a festa BANIFeira:

E o camarada Passos nacionalizou o Banif ?!

(Pedro Tadeu in DN)

O Estado vai reforçar o capital do Banif metendo lá 1.100 milhões de euros. Ficarão os contribuintes, através de um empréstimo da troika, detentores de 99,2% do banco. Se toda a gente envolvida nesta negociação se portar bem – coisa que a disputa da herança do antigo líder do banco, Horácio Roque, torna incerta – a percentagem de posse do Estado naquele banco diminuirá para 60.6%, situação que, no entanto, perdurará até 2017. Na melhor das hipóteses.

Apesar de responderem pela maior parte do dinheiro que capitalizará esse banco, os contribuintes não terão direito a controlar a administração do Banif, que continuará dominada pelos representantes de alegados “investidores privados” que se comprometem a lá pôr, na empresa que deixaram cair, apenas 250 milhões de euros.

Note-se que este banco, de 2000 a 2010, deu aos seus acionistas 216 milhões de euros em dividendos, 41% do total de lucros registados nesse período, dinheirinho que hoje daria muito jeito mas, pelos vistos, ninguém acha dever ser considerado nesta relação desigual entre o nosso proclamadamente falido Estado e os nossos pretensamente ricos capitalistas, cuspidores dessa mão que, afinal, lhes dá sempre de comer e cronicamente os salva dos apuros em que se metem.

O Governo mais falsamente liberal de todos os tempos cedeu, num discreto 31 de Dezembro, à pressão dos accionistas do Banif e, com o acordo do Banco de Portugal, triplicou-lhe o capital social para o salvar da falência, a troco da promessa de vir a ganhar 330 milhões de euros em juros. Será mais uma vã promessa? Talvez, mas daqui a quatro anos já ninguém se lembra, já não interessa nada.

Esta espécie de nacionalização é feita a um banco que, em 2011, encerrou 17 balcões e despediu 120 empregados e que anunciou, entretanto, tencionar despedir mais160 trabalhadores.

Se isto não fosse suficiente para tornar questionável este apoio, podemos pensar nos erros cometidos com o BPN, podemos pensar nos impostos que estão a ser cobrados, nos cortes para a saúde, para a educação. Podemos comparar com a escassez de dinheiro para financiar empresas, podemos denunciar o processo de fragilização da Caixa Geral de Depósitos, podemos protestar contra o saque de reformas. Podemos pensar que havia outras alternativas…

E podemos constatar: nestes acordos a oposição afeta ao regime (na circunstância o Partido Socialista), cala-se caladinha pois surge sempre um dos seus (no caso Luís Amado, ex-ministro de Sócrates e atual presidente do Banif), a tutelar este tipo de negócios.

material_banif

(AI QUE LINDO É 2013, AI QUE LINDO É!)

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