Amour

Amour

Fui ver o Amour. Não se devia chamar Amor mas sim, O que Somos Uns para os Outros. É um título grande eu sei, Ce que Nous Sommes les Uns aux Autres, mas é exactamente o que o filme expõe numas magníficas interpretações do Trintignant e da Emmanuelle Riva. O filme só tem o título Amor porque obviamente vende melhor, o que o realizador pretende mostrar, sou eu que o digo vale o que vale, não é o amor entre um casal de octogenários casados há 50 anos quando a doença e a invalidez lhes bate à porta, o que o realizador quis mostrar foram as subtilezas do nosso comportamento, de que forma nos comportamos uns com os outros em dados momentos da vida e provocador, incita os espectadores com um teste limite, apresentando-nos a doença súbita, a repentina dependência, a demência,  a enurese e a vida vegetativa a que um ser humano pode chegar. O que é uma esposa doente e incapacitada para um marido ainda saudável com hipóteses de manter uma qualidade de vida muito razoável? Pergunto, quando ela, já numa invalidez impossível de regredir, deseja morrer, fá-lo por amor ao marido ou fá-lo porque não tolera ver-se naquela situação? Pergunto, quando ele a asfixia com um almofadão fá-lo pelo amor que tinha à esposa ou fá-lo por ele próprio não conseguindo conter a tensão in extremis em que se encontrava? Ou é o Amor que se mascara e nos impele a sermos assim uns com os outros?

(na realidade, acho que percebo muito pouco de amor e nem sequer o deveria discutir)

Não aconselhem os jovens a ir ver este filme, deixem-nos pensar que aquilo não existe, nem é assim.

Não levem os vossos pais septuagenários ou octogenários, tal qual os meus,  a ir ver este filme, aquilo está demasiado próximo, não os preocupem.

Se têm a minha idade, 10 anos a menos ou 10 anos a mais, podem ir ver este filme. Levem coragem e lenços de papel.

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