O verbo Refundar

O meu dealer de palavrasbelas_escritaseditas voltou a fornecer-me material.
Bocage não morreu, ora vejam e disseminem esta belíssima partitura que, até musicada poderá ser, escrita, segundo o trovador, num belíssimo dia de sol.

Acordar tremendo de furor odioso,
Com pau de marmeleiro de tamanho ditoso,
Zurzindo os costados de Gaspar, o aleivoso,
Empenhar todo um dia nesse cascar gozoso.

Fazendo fé às esbeltas cigarras cantadeiras,
Pra findarem ao néscio gatuno as brincadeiras,
Sem esquecerem que a brincar, a brincar,
Lhe podem meter o grosso pau no cu, pró refundar.

Se das profundas lhe ouvirem bradar,
Pausada voz, “ai filhos, é aguentar, é aguentar”,
Como se de tão grande petulante a aflição,
Desse pausa a tão cavernosa encavação.

Fosse então ouvida na longínqua Belém,
Não estar o fundo das costas do Gaspar lá muito bem,
Viesse em seu socorro cínico Cavaco, esse tratante,
Mais o Passos Coelho, de cabeça perdida, ululante.

E também a galdéria da Maria encavacada,
Arrastando os velhos chinelos, aos urros, desgrenhada,
E de Massamá a suburbana negra desvairada,
Clamando aos brados, muito exaltada… “em mim ninguém espetar nada?!”.

Viesse essa gente delirante socorrê-lo,
Sendo corrida à paulada, desfeita em novelos,
Restando todos sós, singelos, nus, e em pêlo,
Que fosse para a vasta turba um gáudio vê-los!

4 thoughts on “O verbo Refundar

  1. Ah, só a minha boa amiga e o Bocage me faziam rir hoje.
    E que falta que ele cá faz, o nosso Elmano Sadino, nestes merdosos tempos que atravessamos

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