Gerir

Ao fim de 2 horas de conversações, estabeleci um excelente e legal contrato de arrendamento para a casa de porteira do meu prédio e encontrei uma boa solução para a limpeza e manutenção do mesmo. Isto é, em simultâneo, vou conseguir dar algum rendimento ao prédio que, bem falta nos faz pois os seus 40 aninhos não perdoam em estragos e degradação, e asseguro o funcionamento das infraestruturas pagando um ordenado compatível para o número de horas propostas (12 por semana), sustentando a coisa com um contrato de trabalho a recibos verdes. Assegurei que, o total anual a pagar é ligeiramente inferior a 6 ordenados mínimos ficando num valor que se situa no limiar da perda de isenção de Segurança Social, beneficiando deste modo o trabalhador que, não precisa fazer descontos e o empregador que também não os faz. O interessante disto tudo é que, para além de assegurar uma habitação bastante jeitosa para um casal que estava desalojado, criei dois postos de trabalho a tempo parcial: o de limpeza assegurada por ela, e o de obras de manutenção e vigilância assegurada por ele. Com esta solução consigo poupar mensalmente ao prédio cerca de 180€, um valor bastante interessante, e mais, não amarrei o condomínio a um contrato sem termo com uma porteira que, para além de ter direito à casa, pode dar, e a experiência tem-me ensinado muito, grandes problemas que terminam normalmente com pesadas indemnizações. O que vou fazer à poupança? Parte será retida no fundo de reserva do condomínio para gastar em futuros investimentos, a outra parte, vai-me permitir fazer uma redução na mensalidade a cada um dos condóminos de cerca de 6€, sim, porque os lucros meus amigos devem ser distribuídos por todos. Sei que esta medida vai agradar ao condomínio e para além disso irá dar menos razão aos eternos condóminos que se atrasam a pagar e se estão nas tintas para quem faz ginástica a gerir as contas do prédio.
O facto de ser um casal jovem é sem dúvida uma mais-valia para um prédio de gente idosa, até eu já sou que daqui a pouco tenho 50 anos (mas não se nota), e tenho a certeza que se se criar uma boa empatia entre eles e os restantes vizinhos, haverá um sem número de trabalhos que lhes serão propostos: uma horas de limpeza em casa de A, tomar conta de um velhote em casa de B, arranjar um candeeiro em C, etc, etc. Cumpre à gestão estar atenta aos comportamentos, atitudes e proporcionar a confiança entre todos.
Gerir é realmente muito engraçado, requer sobretudo, perspicácia, um bom jogo de cintura, bom senso, educação, mentalidade socialista (porque quem não a tem só está a gerir o seu próprio bolso), e, para mal dos meus pecados, um imprescindível advogado por perto. Para gerir bem não é preciso muito dinheiro, é somente e absolutamente necessário ser-se honesto, saber conversar e ouvir e ser assertiva para estabelecer prioridades e consensos. Ah claro, também é preciso trabalhar, trabalhar muito e com muito amor.

6 thoughts on “Gerir

  1. Parabéns pela boa ação de gestão!
    É pena não ser assegurada segurança social ao casal jovem, mas não se pode ter tudo e, entre deve e haver, todos ficam a ganhar (mesmo eles, nas atuais circunstâncias e enquanto elas se mantiverem). São assim os bons “negócios”! :-)

  2. que delícia ler isto Luisa!
    por várias razões
    pelo entusiasmo com que te entregas às tarefas! que bom isso :)
    a parte dos 50 anos não te preocupes. é isso que nos valoriza. e só trás mais valias. ao fim e ao cabo, desde que a mentalidade seja essa, socialista, essas mais valias tornam se um bem valioso que se divide por todos :)

    nice one ;)

    paulo

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