Os homens da camisola cor de laranja

A minha mãe acredita nos homens de camisola cor de laranja que aparecem nos prédios com a bonita missão de verificar fugas de gás. São aqueles que tocam a cada uma das casas do prédio e se apresentam com um ar simpático e prazenteiro dizendo que nos vão fazer o especial favor de nos medir os níveis de monóxido de carbono e verificar possíveis fugas de gás na nossa cozinha porque não querem que a gente morra. Entram porta dentro de camisola cor de laranja e calças cinzentas claras com um vivo a laranja ao correr da perna pelo lado de fora, depois, pedem-nos para fechar a porta da cozinha, selar as janelas da marquise e com tudo devidamente calafetado dispõem-se a acender no máximo os bicos do fogão a gás, a ligar o exaustor na tiragem mais forte, a rodar o esquentador para o máximo aquecimento, a abrir a água quente em cachão e no maior caudal e a aguentar aquele momento altamente consumidor, tanto tempo quanto o necessário para que um dos aparelhos sofisticados que trazem nas mãos quando entram nas nossas casas, apite. Quando a buzina pia, as paredes da cozinha escorrem vapor de água, nós a suar as estopinhas e já com uma sensação de delicuum, é ver uma alegria contida a estampar-se nos rostos dos homens do pólo cor de laranja, embora claro, façam um ar pesaroso e abanem a cabeça em sinal negativo fazendo-nos crer que estão já a sofrer por nós e por todos os tran$torno$ que vêm a seguir. Acanhados mas firmes informam-nos que vão desligar o gás a não ser que, mudemos o esquentador, a placa do fogão, que os deixemos introduzir resina na canalização e mais sofisticado, que adquiramos um bonito aparelhinho que imponha educação aos nossos electrodomésticos – das duas uma, ou trabalha um ou trabalha outro, nada de simultaneidade. A minha mãe diz que os rapazes da camisola de algodão cor de laranja lhe pareceram muito sabedores e competentes, muito sérios e que lhe detectaram uma fuga na cozinha por isso, até foram muito cautelosos e amigos dela e lhe desligaram o gás. Como foram tão gentis, compreendendo os seus 82 anos e a falta de visão que a atormenta, amanhã já lá vão fazer o arranjo, que é caro diz ela, mas pronto que se gaste pela segurança da casa, returque-me. Quando a informei que esses homens, ao serviço da empresa Galp Energia que detém a concessão do fornecimento do gás natural, enganam os consumidores alegando, ilusórias necessidades de inspecção, falsas fugas e consequente fornecimento de serviços altamente remunerados aproveitando-se da fragilidade dos consumidores ameaçados do corte do fornecimento de gás, eu que o diga que fui vitima de uma brigada laranja no mês passado, disse-me que eu era doida porque os rapazes eram muito jeitosos e tinham as camisolas cor de laranja muito limpas.

Pronto, é isto a minha mãe.

Dicas para se defender das garras da Galp Energia:

  • retire a porta da cozinha e esconda-a num quarto, não é obrigado a ter porta e os testes falham a nosso favor ou se preferir, retire uma janela da marquise, também não é obrigado a ter janelas.

  • no caso de ter exaustor e esquentador, desmonte o exaustor e esconda-o num quarto, é mais fácil do que pensei e monta-se depois num instante.

7 thoughts on “Os homens da camisola cor de laranja

  1. subtil essa da marquise :D mas olha q a maria cavaca lá em casa, consta que é poupadíssima.
    quando viaja à conta do povo é que é pior. caga o cão mas assim de bem alto a desgraçada da pacóvia.

    se isso fosse feito pela Edp tinha um excelente candidato pra autoria dessa ideia. na galp.. não me ocorre ninguem. escorre me o nojo e a vergonha pela cara abaixo quando tenho que ir ao gasóleo ..

    era só

    obrigado Luisa

    paulo

    1. gosto dessa imagem de escorrência de nojo. adopto-a. escorre-me o nojo pela GALP, escorreu-me o suor enquanto os energúmenos gastavam a minha água e o meu gás à espera do apito, escorre-me raiva por ser diariamente explorada por compatriotas ladrões. ando um bocado suja.

      (belo ar, Veraneante!)

  2. E não é só aí que eles nos roubam à descarada e com o aval da ERSE, a quem pedi um pedido de esclarecimento, e que continua sem resposta há um ano.
    É que pelos vistos ao pretender mudar o contrato do nome do meu falecido pai para o meu, tem que haver lugar a reinspecção à instalação, no módico valor de 55€. Quando questionei o porquê dessa “obrigatoriedade”, uma vez que eu não tinha sequer tocado na instalação, logo os pressupostos da aprovação da instalação mantinham-se a resposta foi estapafúrdia: o certificado da inspecção foi emitido no nome do meu falecido pai e não no local onde a mesma se situa. Cheguei mesmo a perguntar se o inspector tinha feito a inspecção ao meu pai em vez de à instalação… é que quando se emite assim um certificado em nome de uma pessoa, presumo que foi a pessoa que foi inspeccionada e não a instalação do gás…

    1. Sobre o ‘Inspector’ há também muito que se lhe diga. Na minha casa e depois de me terem obrigado a gastar a módica quantia de 600€ em novos equipamentos para me ligarem o gás, foi preciso mandar vir o ‘Inspector’ para que ‘Inspeccionasse’ a obra feita pela ‘ladroagem’ dos técnicos da Galp Confort (Galp Energia). Quando percebi que era preciso chamar o inspector, inquietei-me e pensei que iria demorar algum tempo desde a marcação à sua visita e eu sem gás. É quando a ‘ladroagem’ me informa que o ‘Inspector’ vem logo quando se lhe telefona. E telefonaram. No minuto a seguir ao telefonema tocam à porta, quem era? O ‘Inspector’!
      Mas será que alguém acredita que o ‘Inspector’ não estava feito de panelinha com a Galp Confort (Galp Energia)? Claro que estava e pior, o ‘Inspector’ estava à porta do prédio somente à espera da chamadinha. Paguei ao ‘Inspector’ 75€.

  3. só actualizar o nojeira sobre a galp.
    nunca se pagou tanto pelo combustivel aqui nesta porra deste país.
    estou de férias, e ouvi hoje um pouco do noticiário num cafézito, e dizia a Cristina Esteves que assim era.
    o barril de petróleo em 2008 chegou aos 160dolares. hoje anda pelos 112 ou por aí.
    estes cabroes continuam a subir nas bombas, e a meter o guito no bolso.
    no tempo do Sócrates deu tanta merda que já não havia frescos no supermercado. greves e mais greves.
    olhem bem pra isto. nada… ninguem levanta a garimpa. tudo carrega a canga pra pagar férias ao relvas e gravatas de melhor seda aos admins da putisse da galp…

    e é isto….

    paulo

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