Guimarães, capital europeia da cultura?

Fui a Guimarães ver a Capital Europeia da Cultura. Comi um bom de um Jesuíta numa esplanada da Praça de São Tiago, fui ao Castelo e ao Paço dos Duques, passeei-me pelo Centro Histórico, jantei numa tasquinha simpática onde comi um bacalhau assado bem regado de azeite e às tantas já era tarde, enquanto beberricava um vinho verde branco em taça, muito à moda do Minho, lembrei-me que o propósito da minha visita era assistir à representação, personificação e mostra da Cultura Europeia e que depois de um dia inteiro a calcorrear a cidade nada tinha visto.

Na verdade Guimarães Capital Europeia da Cultura não presenteia os seus hóspedes com música, teatro ou intervenções artisticas e culturais pelas ruas, praças e jardins, depois de questionar uma mocita que me pareceu pouco culta no centro de informações do evento, vim a saber que as actuações só se passam em sala.  Anda-se por ali, numa busca de olhar o diferente, de sentir o surpreendente, e tirando um ou outro apontamento discreto e na minha opinião mal identificado nada há para além de Guimarães. Depois, saí de lá com os ouvidos feridos de silêncio musical, não ouvi uma nota enquanto lá estive, uma sonoridade sequer, um saxofone num canto do jardim, um violoncelo no meio de uma praça, nada nem ninguém por essa Europa fora, foi encontrado para vir a Guimarães tocar com espontaneidade na rua e criar nos visitantes o toque acolhedor que só a música sabe dar?

Se havia estrangeirada por Guimarães? Havia pois, muitos e gentinha com bom ar, via-se que vinham à procura dela, da cultura entenda-se, levaram com um banho de história que a cidade é antiga, berço do país para onde viajaram e viva o velho, que nesta terra nunca se sabe para onde vão os milhões que se orçamentam para edificar qualquer coisinha.

Salvei a honra do meu passeio ao assistir a uma pequena peça de teatro anunciada na programação, na antiga fábrica ASA, que está hoje transformada num espaço que pretende ser alternativo, mas que temo bem que daqui a uns tempos não passe de um mero barracão. Chamava-se a peça, Une Brique Dans Le Ventre, e foi com imenso prazer a que assisti a uma prova de mímica surpreendemente bem feita por dois simples e desconhecidos actores, um deles português e tomem bem nota no nome dele, porque o rapaz vai longe se tiver sorte na vida.

Deixo uma sugestão à organização do evento, aproveitem os corações a Guimarães que todas as lojas enfeitaram a seu gosto e que darão certamente uma exposição interessante e talvez aí se possa finalmente apreciar uma forma de artesanato regional.

Resumindo, se abrirem o programa das festas e ficarem seduzidos por algum espectáculo em sala, que tanto podia ser visto em Guimarães como em Alguidares de Baixo, vão até lá, mas se o que querem é apreciar a mostra da Cultura Europeia, ó pá, vão antes a Barcelona ou a Praga que ficam sem dúvida muito melhor servidos.

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6 thoughts on “Guimarães, capital europeia da cultura?

  1. “com os ouvidos feridos de silêncio musical” é muito bom :)

    eu lembro me, quando do ínicio dessa coisada, o que veio a terreiro foi a quantidade de dinheiro que se pagava a este e aquele para irem discursar. de alguns insultos ao cavaco talvez..
    mas realmente, que esperar de alguem, que assim que toma posse da cultura em Portugal, se vê vem a saber dos mulhares que deve ao fisco?

    cultive se cultura primeiro?

    paulo

    1. Paulo, sobretudo é má educação receber mal ou enganar os hóspedes, e é isso que se está a fazer em Guimarães Capital Europeia da Cultura.
      Que apresentem contas ao povo, é uma exigencia que todos devemos clamar!

      (já estou nos Tomates; sabes que este este ano estes cabrões cá debaixo, (salvo seja), puseram o parque de estacionamento da praia, aquele terrunho, a pagantes!? 3€, e toma lá que já almoçaste. claro que o povinho já rebentou com a ostensiva cerca e estaciona todo cá fora; isto está mesmo a precisar de fogo, pá)

      1. já sabia. infelizmente já sabia. não irei ao Algarve este ano. tenho um projecto em Portalegre e as filhas já vão à praia sózinhas, portanto vou me dedicar a outra fruta :) mas sim Luisa isto está a precisar que se rebentem com cercas. senão qualquer dia já não é o meu Algarve que desaparece. é o nosso Portugal que se vai.

        boas férias :)

  2. Foi provavelmente uma questão de calendário, é como nesta altura a “politiquice” desce toda às praias os eventos culturais de rua esvanecem-se e não é só em Guimarães. É que eventos sem o Coelhos, Seguros, Paulinhos, Cavacadas, Relvas e afins ficam muito despidos e provavelmente a organização pensará que o povo se sinta assim…nú! Deus, como eles se enganam, o povo quer é distancia deles! O povo quer é espairecer, descansar de tantas luzes, holofotes, directos e de tanta parvoice e mentira junta!

    1. blocodecotas, eu só pedia uns acordes num cantinho de um jardim, uma banquinha de artesanato na pracinha, um bocadinho de vida nas ruas pejadas de história.
      please, não me fale dessa escumalha emplumada, estou a passar uns dias de férias e queria descansar a cabeça. ;-)

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