Olhai os lírios do campo

Havia uma modorra no ar, uma acalmia sobrenatural, nem brisa, humidade carnal, um ror de insectos por ali, pássaros estúpidos a esvoaçar, uma cantoria gutural, água escorrente num burburinho soturno, a terra castanha leal como os olhos de um cão, o verde de todas as cores, desenho de menina, frutos do amor.
Nascem os lírios, os gladíolos, as coroas imperiais, a gipsofila noiva, as margaridas. Que entrega, que paixão esta minha e eu sem saber da fé.

“E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste asssim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? ”

(Matheus 6.28-30)

“Uma noite me disseste que Deus não existia porque em mais de vinte anos de vida não O pudeste encontrar. Pois que até nisso se manifesta a magia de Deus. Um ser que existe, mas é invisível para uns, mal e mal perceptível para outros e duma nitidez maravilhosa para os que nasceram simples ou para os que adquiriram simplicidade por meio do sofrimento ou duma funda compreensão de vida. Dia virá em que em alguma volta de teu caminho hás de encontrar Deus.”

(Olívia fala com Eugénio, em Olhai os Lirios do Campo de Érico Veríssimo)

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