Mulheres

Hoje tinha pensado escrever um artigo sobre as Mulheres mas há bocado chateei-me deveras com um homem, e como tal, estou incapaz, não me apetece, e realmente não há seres neste mundo que nos tirem tanto do sério. Até me tinha lembrado que ia aqui falar das pretas gordas de pernas baixas e inchadas de sacola na mão, que vêm todos os dias do Cú de Judas, apanham a camioneta depois o metro e ainda o autocarro, para limpar a merda dos doentes nos hospitais, mais o chão sujo de compressas conspurcadas, despejar arrastadeiras ensanguentadas e lavar urinóis, ia contar de quando morreu o meu marido, que a enfermeira-Mulher olhou para mim, viúva-Mulher-separada, e me perguntou se a ajudava a vesti-lo e eu lhe disse que sim, e despimos-lhe o pijama, lavamos-lhe o corpo com algodão e água tépida, e ela tão carinhosa passou-lhe no pescoço, nas orelhas, e eu junto com ela, no peito, na barriga e no sexo que mudei para um lado e depois para o outro, ela tão carinhosa fez-lhe depois a barba, penteou-o. Também me tinha lembrado de falar das Mulheres-mães que apanham sustos valentes com os filhos e ficam encostadas à parede do hospital, mesmo junto à porta da sala de operações, enquanto rasgam e limpam o seu menino que entrou a desfalecer com uma peritonite aguda, igualmente nunca me esqueceria das mulheres que levam porrada do gajo que têm lá por casa, que se for preciso também arreia nos filhos, nos sogros e nos pais e sai depois esbaforido, doido para beber um copázio de um qualquer líquido cheiroso num café bem perto de casa, ou das Mulheres que não têm hipóteses e que precisaram de dar um tiro nos miolos do salafrário que as tratava mal mas que ganharam a liberdade na prisão, para onde também levam os filhos que vão ser homens amanhã, e mais, das miúdas adolescentes-pré-Mulheres, Mulheres-à-força, que aparecem grávidas e as cabras das mães ainda as castigam e as culpam de provocarem o pai, o padrasto ou o namorado.
E muitas mais Mulheres queria lembrar, as Mulheres que fazem tanto, mas estou sem cabeça, que lhe mandei parar o carro para sair porque a conversa já me estava a cheirar mal, e logo por azar trazia uns saltos altíssimos, fartei-me de andar e até guinadas sinto nos pés agora, que estou com eles de molho numa bacia com água e sal. Estupor, filho-da-mãe, que até uma bolha tenho no pé! A única coisa boa, foi que dei com um cabeleireiro estupendo, e precisava mesmo de pintar o cabelo, fartei-me de dar à língua com a menina e com o gajo que me atendeu que era bicha e percebia imenso de desgostos de amor.
Não há nada que melhor faça a uma Mulher do que dizer mal. Apre!

8 Março de 2012 – Dia Internacional da Mulher

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8 thoughts on “Mulheres

  1. são tantas as coisas que se podem escrever sobre as mulheres
    são tantas as mulheres fantásticas
    eu conheço muitas mulheres
    de todas que conheço, lembro me de uma, duas vá, que não prestam. conheço-as bem.

    a minha própria mulher, que não deixa, nunca, que lhe ponham a pata em cima, foi alvo de processos ignóbeis, por seres abjectos, dentro duma merda duma empresa.
    entretanto veio a falir. mas o que ela sofreu catrino!
    que força ela tem, teve, para ir para outra vida. é a minha mulher.
    criamos duas filhas. fantásticas à sua maneira. quando penso no futuro delas fico paralizado. depois lá me acalmo. lá vou vendo e apontando caminhos ideias etc.. sim que esta merda de ser pai não é pra todos :P <– estou a brincar. ninguem nasce ensinado. tudo se aprende.

    não sei porque escrevo isto, realmente os homens são protegidos. serão todos? as mulheres protegidas. serão algumas?

    falo da minha Mãe. quase nos 80 anos. vividos em luta. ainda hoje orienta crianças do 9ºano de escolaridade, que não sabem dizer o que é, ou representar uma recta. fosca-se pareço o medina carreira mas isto é mesmo verdade!
    a minha Mãe, com quase 80 anos, orienta um miudo do 5º ano, com dificuldades extremas na matemática, porque era gozado na escola primária pelos professores e colegas por ele não saber fazer os exercícios quando era chamado ao quadro. um coisa… indescritivel.
    o miudo tirou ontem ou anteontem a primeira nota positiva num teste. estava radiante.
    a minha Mãe é assim.
    conta-me os assuntos do teatro e da política e do trato do meu Avô paterno, que eu não tive a felicidade de conheçer. eu em fase adulta entenda-se. para terem uma noção, o médico de Coimbra, minha cidade natal, que escrevia sobre o nome de Torga, era visita diária, do meu Avô. não publicava nada sem que ele visse. ver como estava. correções. dar uma opinião.
    e mais uns milhares de coisas que a minha Mãe ainda hoje me conta. que eu desconhecia.

    todos os dias a levo a tomar café. e ficamos a conversar um pouco. um muito.
    todos os dias.
    cuidar. acarinhar. amar.
    é isto que se me ocorre dizer hoje Luisa.

    o teu texto, sempre claro e objectivo. muito bom. é um prazer ler-te.

    eu não sei escrever. só sei dizer assim as coisas.
    tenho um respeito enorme pelas pessoas. as mulheres estão sempre presentes na minha vida.
    e estarão :)
    é um caso de amor :)

    que, de alguma maneira, se faça luz, sobre alguma coisa. olha! que seja eleito um presidente decente, em França.

    obrigado

    paulo

  2. Já passou? Então para si, para todas as mulheres, um abraço de gratidão do tamanho do Mundo, que esta vida sem vocês, mulheres amigas, não tinha mesmo gracinha nenhuma.

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