Normalidade na Grécia

Normal, é a reacção do povo grego face à vida futura que se lhe depara no seu próprio país, face à fome que as famílias começam a sentir, ao desemprego de 50% na população jovem, face aos direitos que vão ter de prescindir. Normal, é as pessoas reagirem, revoltarem-se, gritarem, quando se sentem ameaçadas por um inimigo mais forte, em que só lhes resta a opção de clamarem bem alto para serem ouvidas e quem sabe, talvez ajudadas.

Estranho, esquisito mesmo, um médico designaria por patológico, é o nosso comportamento, esta postura portuguesa de silêncio sofrido, de cada um em sua casa, e muitos já não a têm, numa apatia, numa inércia incompreensível. Esta modo de ser pacifista, muito convenientemente apelidado pelos políticos do poder por, ‘brandos costumes’, é mas é uma forma simpática de nos pouparem ao nome feio que realmente merecemos – morcões alapardados aos balcões dos miseráveis Cafés Centrais espalhados por este país, de olhar pasmado para a televisão acocorada no alto de uma parede junto ao tecto e perto do mata moscas de luz azul electrizante, é o que somos.

Metemos nojo, caramba!

“É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.
Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.”

Miguel Torga, Diário IX, ( Chaves,17 de Setembro 1961)

 

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