Prazeres

C A N D U R A

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.

(Bertold Brecht, in ‘Do Pobre B.B.’)

C A M P E S T R E

C A R N A L

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
– Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

(Florbela Espanca, in ‘Charneca em Flor’)

2 thoughts on “Prazeres

  1. Agora que já colhe da terra o produto do seu trabalho, não se esqueça de ser solidária e repartir as suas nabiças, alfaces, etc., com aquele casal de velhinhos necessitados, ali de Belém.

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