PORDATA e o Frambozen Gebakje

O zururu que se gerou por se ter sabido que o Sôr Alexandre pôs a empresa a fancos dá-me uma imensa vontade de rir. Os portugueses são muito mesquinhos, benza-os Deus! Então, não passam a vida a dizer que o governo só nos quer chular, e quer, que são um bando de ladrões a atacar os ordenados e os princípios sociais, e são, que isto mesmo com os cortes vai ficar na mesma ou pior, e vai, e ao mesmo tempo criticam uma alminha por safar o couro e o dinheirito das mãos destes salafrários?!
Mas então como é que é? Em que é que ficamos? Agora é tudo a apontar o dedo ao velhote mas ao mesmo tempo com uma vontadinha enorme de fazer o mesmo! Ou passou toda a gente a cumprir a legislação fiscal, tributária, bancária, laboral e social, tudo a bem da Pátria e do nosso 1º?
Não me digam que julgam que toda essa gente de apelidos graúdos – Jardins, Saviottis, Berardos, Teixeiras Duartes, Quintas da Marinha, Restelos e Lapas – têm por cá os capitais à disposição da nossa, ‘tão nossa amiga’, banca nacional?
Ficamos tão naífes com este comportamento e depois o que me impressiona é que é replicado por todos, pela totalidade dos quadrantes, jornais e revistas e comentadores credenciados, tudo a fazer queixinha ao Gaspar, c’o Pingo Doce é afinal Amargo e veja lá Senhor Ministro, que andava a televisão estatal a publicitar as estatísticas da PORDATA, e era um minuto tão bonito, e mesmo assim, pimba, o Sôr Alexandre cruzou os braços e disse: – Contra factos não há argumentos! O ingrato.

A propósito, se alguém quiser aproveitar e fazer igualmente queixa, eu outro dia mandei pôr uma porta cá em casa, porque tenho muito medo de papões, lobisomens e bichos maus, e o rapaz que me veio fazer a obra, que por sinal era giro e um espertalhão, perguntou-me se eu queria factura. Retorqui-lhe: – Mas agora não é pecado não pedir factura? – e ele respondeu-me: – E a Senhora acredita no Céu? Ateia, agnóstica e pecadora como uma Madalena, não posso obviamente acreditar no tal de Céu senão não dormiria de noite, e assim tornei a pecar, pôs-se a porta sem factura, nem eu lha pedi, nem ele ma passou. Lá se foi a Pátria mas salvei o meu mês, que francamente, é uma coisa muitíssimo mais importante.

Relativamente ao Pingo Doce, tenho-lhe a dizer Sôr Alexandre, que leva pouco dinheiro do meu para a Holanda porque gastei quase nada na sua casa. O senhor prima pelos preços excessivos nos produtos que tem nas lojas e na sua maioria de qualidade muito duvidosa, portanto, as suas cantilenas nunca me convenceram. Se trouxer para cá o Frambozen Gebakje holandês, que é uma verdadeira delícia, pode ser que passe lá um destes dias.

4 thoughts on “PORDATA e o Frambozen Gebakje

  1. não consigo discordar do que escreveu. no entanto, senti-me de alguma maneira atingido. então o coelho manda-nos emigrar e nós emigramos? eu tenho aqui um vizinho que está em Paris, onde trabalha e paga os impostos, onde cumpre as regras de transito (e as outras todas) e chega aqui a Portugal, vira o contador da água ao contrário e é capaz de ficar o dia todo a lavar as grades da vivenda uma a uma á pistola. (está portanto a gamar-nos a todos né?)
    no fundo, é esta a mentalidade de que estamos a falar. não estamos a unir-nos para levar Portugal prá frente. estamos a fazer como o Barroso? a borrifar nos no País, arranjar alto cargo e bardamerda Portugal? é disto que estamos a falar?
    sempre trabalhei por minha conta desde que me conheço. nunca tive qualquer apoio do estado. pra nada. pago os impostos q me são devidos. não tenho férias nem natal. não tenho baixas nem nada disso. podia muito bem fazer a mesma coisa. pior. devia! não era Madalena? (permita-me que a trate pelo nome. vi-o escrito no post em cima) :)

    não consigo.
    o problema é meu por certo. admito.. o seu ponto de vista é muito válido. eu não o consigo compreender muito provávelmente. safar o coiro, sugar onde há, etc, são expressões que não me assistem.
    vou continuar a lutar aqui. é aqui que as minhas filhas querem viver por enquanto. elas decidirão o futuro quando for tempo. mas eu fico. não por nacionalismos idiotas. não tenho nada contra emigrantes apesar do exemplo que lhe dei não ser excepção infelizmente.

    é evidente, claro para mim, que empresários deste calibre, têm mais responsabilidades do que os outros. é preciso participar do esforço? não podem fugir assim. não por imperativos legais. mas por uma questão de postura e de respeito ao país que lhes deu o guito a ganhar.

    estamos sem governo. é verdade. o coelho é estupido. é verdade. tava a pedir este tipo de atitude? estava. mas que raio, se não defendermos isto quem irá defender? o relvas? :)

    oxalá me entenda. a minha vida não é a escrita :)))

    abraço

    paulo

    1. Claro que entendo Paulo.
      E pensa que eu também não pago tudo e mais alguma coisa? Sou daquelas que recebo ordenado com imposto retido na fonte e depois pago todo o resto do rosário desta vida nacional. Uma factura que foge ao fisco? De vez em quando, porque também nisso sou portuguesa e habituada a ter que tapar buracos no orçamento e fazer acrobacias com o salário.
      E este texto está a bater em todos, no Alexandre, nos salafrários, no rapaz que me pôs a porta e em mim própria, que não sou Madalena, mas Luisa.
      :-)

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