Baile de Ano Novo

Nestas festarolas de Ano Novo se há coisa que gosto de ver, é duas mulheres a dançarem juntas. Pegam-se uma na outra e deixam-se conduzir, mulheres que são, num rodopio de alegria de desdém pelos homens da sala. Saltitam contentes, corpos separados, de mão na mão, olham o resto da sala a sorrir sem se importarem com quem as mira, e rodopiam como um par encartado, usam a pista de dança com o à vontade de donas, de patroas, noivas de branco, personagens principais da festa.
Como as admiro!
Nunca dancei com uma mulher, mas sempre que as vejo na alegria da música a chegarem-se uma à outra, pergunto-me se haverá uma que tomará a rédea aos passos para conduzir a dança e a outra fará de mulher e lhos seguirá, ou se pelo contrário ambas encontram o mesmo ritmo e a reviravolta à esquerda é feita em uníssono de irmãs.
Os homens, pobres, não são capazes deste gesto. Quando a música lhe puxa o pé ou enlaçam a mulher que tenham pela cintura ou ficam sozinhos em passinhos apalhaçados na periferia do recinto.
E no fim riem-se, batem palmas, generosas, e se a cantiga continua lá se prendem outra vez, não há homem que as queira, não há homem que as bata.

(Baile de Ano Novo, 2012)

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