Chá

Vim com muito frio da horta.
Despi-me de suja que vinha, lavei a cara sarapintada de sinais de lama, penteei o cabelo desgrenhado e atei-o num rabo de cavalo bem feito, vesti uma roupa fofa e quentinha, calcei umas pantufas com uns sapatinhos de lã que alguém me oferece sempre no Natal, atravessei o xaile branco pelas costas e pescoço, fechei os estores da casa aberta, liguei uma ou outra luzinha ambiente e fiz chá de cidreira.
Tomo-o numa caneca antiga do tempo da avó. Ali sabe melhor, mantém-se quente e beberrico-o com golinhos de menina, a louça transmite-me a quentura que preciso para acarinhar o corpo e enternecer a alma.

E assim estou, feliz.

(um trovador ofereceu-me isto um dia e é mesmo bonito)

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2 thoughts on “Chá

  1. Gostei de ler este texto.

    Nós aqui, no campo, acendemos hoje a salamandra – pela primeira vez, nesta estação – e, perto do calor aconchegante que vem dela, bebi um cheiroso ‘chá’ de lúcia-lima, que também me recorda a minha avó, que a tinha no quintal e que secava as folhinhas para fazer cheirosas infusões.

    Bom domingo, Luísa.

    1. Plantei hoje cidreira, lima e menta na minha horta. Está linda a minha horta!
      Já não lhe posso desejar Bom Domingo, mas quero dizer-lhe que foi bom e que o vivi com muito prazer.

      Boa semana que aí vem, Um Jeito Manso.

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