O Pregador

Ouvi hoje via internet, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa na sua homilia domingueira na TVI. Não porque o considere imperdível, muito menos por apreciar a dissimulada campanha política, feita em horário nobre e paga com bons honorários, que o senador leva a cabo no canal rei das audiências. Ouço-o precisamente por razões opostas, por mero exercício de masoquismo, (enfim, também tenho as minhas taras).
O Professor Marcelo Rebelo de Sousa, faz dissimuladamente e sempre muito bem coadjuvado pelo Júlio Magalhães, constantes apelos abonatórios às gentes do seu partido, que neste momento se encontram a governar o país e igualmente a presidi-lo. Usa um estilo de toca e foge, isto é, comenta um qualquer episódio da governação, primeiro com uma pequenita reprovação e esgar de olhos em tom de aviso paternal, e depois ressalva o reparo, com um estrondoso elogio pela argúcia, perspicácia, inteligência e não podendo faltar, sentido de Estado dos augustos intervenientes.
O que me dá um gozo bestial é perceber perfeitamente esta marosca de semântica linguística que o Professor usa e melhor, perceber igualmente que, enquanto enlevado profere doutoralmente aqueles traiçoeiros sermões acha que as bestinhas dos portugueses, não decifram o flagrante apoio político que dá ao governo, mais ao senhor presidente Cavaco Silva.
O meu masoquismo reside na prática do exercício de detecção do engodo, que são as palestras do ‘Pregador’, como o apelidava Santana Lopes.

O palavreado desta semana tem três ‘fantásticas’ particularidades: o elogio ao jogo de cintura do idiota do Relvas, que deu ‘esperanças’ ao tonto do Seguro sobre a possibilidade de haver somente o corte de um subsídio* mas que rapidamente compôs o discurso falando de ‘almofadas’ (minuto 13:52), a observação maldosa à inédita manifestação dos militares, que deduzindo as famílias, os reformados e já agora só faltava dizer, os deficientes, os pretos e as mulheres, estavam lá ‘somente’ três ou quatro mil mancebos (minuto 23:22) e por último, a referência descabida e arrogante à postura em tribunal dos arguidos do processo Face Oculta, identificando-a como a ‘arrogância do socratismo’, como se o PSD não tivesse telhados de vidro e não possuísse crápulas como, um Oliveira Costa, um Dias Loureiro, um Alberto João Jardim, que depenaram o país em muitos mais milhões do que o sapateiro do Vara (minuto 26:40).

A tudo isto só posso dizer: Ca ganda nojo!

(*subsídio não, dinheiro, ordenado justo e combinado contratualmente com o trabalhador)

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3 thoughts on “O Pregador

  1. Ó aí, que é lá isso da Pasta Medicinal Couto ser um produto gourmet? Não senhor, olhe que não, olhe que não!! O meu pai, que toda a vida foi um operário “remediado”, como se dizia, sempre usou, e eu, um “desremediado” por culpa dessa canalha infecta dos Passos, Relvas, Gaspares, Álvaros e da pqp, também uso. E olhe que só a consigo encontrar ou em lojas de bairro, muito antigas, ou em pequenos mini-mercados, passe a redundância. Produto gourmet a minha Coutozinha? Nã, nã….

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