Contra factos não há argumentos

Facto 1

Fui ver A Fuga, no teatro Tivoli com a Maria Rueff, o José Pedro Gomes, o Jorge Mourato, o João Maria Pinto, e a Sónia Aragão.
Sinopse, uma coisa deste género: “Um ministro demite-se na sequência de um escândalo de corrupção que lhe destrói a carreira política. A sua mulher foge com o jornalista que revelou o caso. O caos instalou-se na vida de Vicente Calado que considera tomar….”
Nada a dizer.
Resta-me pedir aos três primeiros actores que enunciei, que não repitam o estilo nem a graça.

Facto 2

Quase não parei este fim-de-semana, nem ouvi a televisão. Eu ouço-a, raramente a vejo.
O que fiz? Trabalhei. No emprego? Não. Fora dele.
Já tenho imenso cieiro nas mãos. Tão pequenas e tão ásperas. Importas-te?

Facto 3

Eu agora é só horta. Só terra, plantas, bichinhos. E o cheiro? Divino. Há tantos cheiros misturados e cores, provo com os olhos e aspiro o odor das mãos. Regalo-me.
Estão ásperas as minhas mãos. São pequenas para tanto trabalho. Vão ficar velhas antes de mim. Será que te importas?
Mas eu agora é mais campo. Sinto ternura pelas folhas, pelos troncos, pelo adejar das ramagens ao som do vento, pelo sol que lhe brilha se está sol, pela moleza da chuva no terreno onde me deixo enterrar sujando-me de terra baptismal, por um pimento vermelho que descortino pendurado, por uma lesma que caminha sobre o meu domínio, pelas vozes ao fundo que não percebo o que dizem, por me tornar infantil e me apetecer escrever uma redacção com o tema, O Campo.

Facto 4

Já sei que o Tozé disse que, a abstenção do PS à aprovação do orçamento 2012, é “violenta mas construtiva” e que pediu um “debate sério” no parlamento. Isto parece-me exactamente o mesmo q’um homem nos fazer um filho sem sequer nos despir a camisa de noite com medo de nos sujar.
Estou farta deste gajo. Vocês não estão?

Facto 5

Um louvor a Papandreou, grego socialista, que pôs em causa com coragem e arrebatamento esta Europa de padres e sacristães que vive com o pecado na boca, se chicoteia pela sua remissão e jejua invocando o sacrifício devido, e foi esta noite descartado por uma oposição de Direita gulosa de poleiro, tal qual a nossa que nos governa, nos distribui terços para rezar e nos dá vinhaça barata para nos atordoar.

Facto 6

Tal como previa, a puta da Popota do Senhor Inginheiro já está na televisão a anunciar as prendinhas nataleiras. Relembro o meu pedido que, pelas minhas estatísticas foi até bastante aplaudido, aqui.

2 thoughts on “Contra factos não há argumentos

  1. Uma coisa é certa: tanto trabalho e tanta lide no campo revigora-a. Este post mostra-o bem, é cá um oxigénio… !

    (PS: Eu, pelos mesmo motivo, o das mãos, estou sempre a pensar que devia passar a usar luvas. Mas e depois o prazer de sentir as coisas…?)

    1. É uma guerra eu e as mãos, são muito pequenas e envoltas numa pelezinha frágil. Vejo-lhes enorme vantagem para desenhar, enfiar missangas num fio de nylon, partir muito partidinho rodelas de alho francês, cubos de courgette e tiras de cenoura, juntar flores e fazer um bouquet, enfim, resumi-las a tarefas minuciosas e acariciantes. Quando não, ficam rasgadas, gretadas e doridas.
      Com luvas fico com mãos de aselha, mas com a horta já percebi que vou mesmo ter de as usar.
      Hoje pus-lhes uma cataplasma de creme gordo hidratante e tenho o teclado completamente oleoso.

      (beijinho de Boa Semana, Um Jeito Manso)

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