A Terra a quem a trabalha

Fui a leilão e ganhei o terreno. Vou tornar-me numa agricultora urbana, biológica, ecológica, lógica, tecnológica, saudável e extremamente feliz.
Este, vai tornar-se o grande projecto da minha vida a partir de agora e verifico mais uma vez, que a natureza é muito sábia, pois demonstrou-me que só poderia agarrar-me à Terra ao sentir o meu chão tão escorregadio.
E estou a fazer um regresso. Um regresso à quinta da minha infância de sonho. Linda!


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Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! Minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, na distância!
Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.

Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.

Regresso, Miguel Torga

6 thoughts on “A Terra a quem a trabalha

    1. Olá amiga!
      Foi uma rica ideia, sim senhora, até porque era algo que eu perseguia há algum tempo e tendo agora realizado esta vontade só posso sentir-me imensamente feliz. Mas vou ter de me preparar para a missão, ler muito, experimentar muito, errar muito, aprender muito com os vizinhos e responsabilizar-me por tratar esta terra como se fosse um filho. E há coisa melhor que um filho?
      Não é em Benfica, é num dos locais mais idílicos e romanescos da nossa cidade, Parque Monteiro-Mor, um paraíso.
      Os frutos do meu trabalho serão tema para muitos posts, serão certamente muito fotografados e razão para revelar as minhas mais recônditas emoções.
      Muito obrigada pelos seus votos.

  1. Adoro o Parque do Monteiro-Mor. Muito passeei por lá quando os meus filhos eram pequenos. E os museus, uma maravilha.

    Que sítio maravilhoso para se ser ‘camponesa’… Agora é mãos à obra e venha daí, com assiduidade, a reportagem das pequenas e permanentes vitórias.

  2. Vê? Abriu-se a tal janelinha e o terreno para a hortinha entrou. Agora, daqui a algum tempo, claro, é que vai ser… ele é alfaces, cenouras, couves, espinafres, enfim, morangos até, quem sabe, e tudo fresquinho, tudo bio, tudo “seu”.
    E depois as saladas, as sopinhas, os esparregados que daí vão resultar …
    Sorte (muita) então para a quintinha, que para tudo ela é (também) necessária.
    Mas , continuo a achar delicioso ir ao mercado ao sábado, manhãzinha cedo.

    1. Também gosto de mercados, praças, vendas, feiras. Este gosto de ter tudo ‘meu’, vai ser uma aventura, mas eu ainda não perdi a capacidade de me rir com aventuras.
      E sim, há dias maus mas há-os também muito bons.
      Obrigada.

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