O caminho de Brejão

Ao António

Ontem vi as estrelas do Alentejo de mão-dada, palmilhando uma estrada escura com arribas e dunas a caminho de Brejão. E depois de 10 passos perguntaste-me se tinha medo, e eu disse que não. E depois de 30 passos perguntaste-me se queria continuar, e eu disse que sim. E depois de 100 passos perguntaste-me se estava cansada, e eu disse que não. E depois, quando já víamos luzes por morarem pessoas naquela terra e já não era preciso irmos muito juntos pelo meio da estrada de mão-dada, companheiros numa nova vida mas de destino atraiçoado e me perguntaste se queria voltar, eu disse que sim.
Sinto hoje tantas saudades das estrelas fixas no céu do Alentejo, das cigarras barulhentas que nos forçavam a falar alto no ofegar dos nossos passos afeiçoados com direcção, na alegria do breu da noite nos confundir com seres invisíveis, juntos, imortais, de termos sido capazes de pestanejar com a brisa leve das asas das borboletas nocturnas, por termos alinhado os passos numa cadencia uniforme numa união perfeita e por me teres ensinado a confiar.

E de manhã, quando ao beijo choravas, repeti-te: – sabes, ontem nunca tive medo e somente contigo vou até ao fim-do-mundo.

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