Comboio descendente

Depois de ouvir o Primeiro Ministro falar de comboios, da redução de despesa ser conseguida pelo despedimento de pessoas e pela passagem das empresas públicas a privados sabe Deus como, e de perceber que tem a decisão e gestão dos cortes na saúde e educação exclusivamente nas mãos dos ministros escusando-se a responder a perguntas por absoluto desconhecimento, só me apetece recitar Pessoa. Canta Zeca!

No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada…

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela…

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormnindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão

(Fernando Pessoa)

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