Praia

Voltei à praia. Sinto-me sempre pequenita dentro do mar. Criança. Como se soubesse e me fosse certo, que depois do mergulho, a mãe teria estendido na areia a minha toalha sequinha para me deitar e de seguida me ofereceria pão com manteiga e fruta. E eu deitaria a cabeça na toalha enquanto sentiria as gotas de água a escorrerem-me pela cara e ponta do nariz e deitaria a língua de fora para as apanhar, saborear o salgado e depois bebe-las a brincar . E a praia era o meu mundo e nada mais interessava do que dar 301 mergulhos, apanhar as ondas e bater muito com os pés até chegar ao areão da beira-mar sujando-me de propósito para poder voltar a mergulhar, ginástica incansável, prazer imenso de dois amantes, o mar e eu. E ficava preta. Castanha escura com o cabelo mais claro e os olhos faíscantes, reflexos da água azul em movimento.

Já não dou 301 mergulhos. Já não como pão com manteiga para não engordar. Já não me sujo no areão.

Fico castanha escura e bebo as gotas de água que me escorrem, pelos cabelos compridos, pela cara e pela ponta do nariz, enquanto deitada no toalhão azul, sustento o corpo com os antebraços fincados, de cabeça baixa pelo peso do sol.

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2 thoughts on “Praia

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