Almoçar de marmita

Já o faço há algum tempo. Incentivei o pessoal do meu piso à compra de um microondas baratucho que vendiam no Lidl. Sabe-me bem alguma coisa quente à hora do almoço. Aconchega-me e reduz-me a larica. Optei por comer num pequeno canto, a que chamam de copa, dentro do edifício modernaço onde trabalho, aqueço a comida, partilho o azeite e vinagre, de uso comunitário, para os temperos dos verdes, uso os toalhetes de papel da instituição para as limpezas e ainda passo a louça suja por água para não a deixar com cheiros e antes da sabonária de casa.

Toda a zona envolvente ao Parque das Nações com seus banquinhos de cimento prazenteiros a olhar o rio, está cada vez mais pejada de comensais da marmita. Já não é um, nem dois, já não são só mulheres, já não é somente uma simples sanduíche na mão. São mesmo muitos, munidos de saco de plástico, caixas Tupperware, garfos e colheres. Vê-se massa com carne, taças de sopa, bacalhau à Brás, saladas mistas, fruta e vontade de comer.

Que mudança em tão pouco tempo!

(detesto ouvir as teorias de que, almoçar de marmita é muito mais saudável, ecológico, prático e o raio que os parta; almoçar de marmita é mais barato e mais nada)

2 thoughts on “Almoçar de marmita

  1. Gosto mesmo muito das suas crónicas .. Muito bem escritas e muito interessantes. Um perscrutar muito arguto e lúcido da nossa realidade. Parabéns !

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