A Senhora Presidente

O parlamento está sem graça.
Duas bancadas cheias de rapaziada pró-governo a abanar com a cabeça como os cãezinhos que se deitavam num felpo amarelo na traseira dos automóveis dos anos 70, a bancada do PS a lembrar a meia dúzia de cabelos ralos na triste calvície de um homem e as cadeiras da Esquerda a parecerem a aridez que é a assistência à missa das sete numa igreja de Lisboa.
A Heloísa Apolónia já não grita com estridência e fica coquette a olhar os olhos de Pedro, a Teresa Caeiro está desinteressada, não abana a cabeleira ruiva com o olhar e o biquinho reprovador, a Maria de Belém continua bonita e educada, o Louçã está retraído, acossado pelos camaradas e tímido pela presença do primo e há muita gente nova que calculo ainda nem saiba bem, onde ficam as casas de banho.
Vejo os ministros compostinhos sem ódios de estimação por parte das bancadas e os dois mais próximos de Pedro olham-no de baixo para cima sem deixar transparecer grandes emoções.
Um hemiciclo inócuo, pacífico, enfarpelado em fatos escuros pouco transpirados tanto pela ausência de contenda como pela eficiência do ar condicionado.
Estou no entanto impressionada com a cabeleira loura-sueca da Assunção Esteves, a mulher de voz ligeiramente sibilina, que só me lembra uma peruca daquelas que uma mulher enverga numa noite de ousadia e atrevimento, quando, sabe-se lá porquê, quer passar de Assunção a Gina.

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