Útero

Assim, como não concebemos que o corpo pense de nenhuma maneira, temos razão em acreditar que todas as espécies de pensamentos que em nós existem pertencem à alma. Devemos acreditar que todo o calor e todos os movimentos que existam em nós, na medida em que não dependem do pensamento, pertencem exclusivamente ao corpo. Consideremos que a morte não sobrevém nunca por culpa da alma, mas sim da corrupção de quaisquer partes importantes do corpo e reconheçamos que o corpo dum homem vivo difere tanto do dum morto como um relógio ou qualquer outro autómato. Mas, para compreender mais perfeitamente todas estas coisas, é necessário saber que a alma está verdadeiramente unida a todo o corpo, e que em rigor não se pode dizer que exista numa das suas partes, com exclusão das outras, pois o corpo é uno e de um certo modo indivisível, em virtude da disposição dos orgãos, de tal modo relacionados uns com os outros que baste que um falte para que todo o corpo se torne defeituoso. E isso vê-se claramente na impossibilidade de concebermos a metade ou o terço de uma alma ou a extensão que ela ocupa, e no facto de não se tornar mais pequena quando se tira qualquer parte do corpo.

(reli Descartes e retirei excertos de As Paixões da Alma – I)

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