Anorexia

in postsecret.com

Hoje almocei com uma família funcional, com um pai, uma mãe, uma filha e um filho. Pais com rendimentos altos, filhos a estudarem no ensino particular, católicos, carinhosos, casa própria numa zona cara de Lisboa, casa de férias, 3 carros, férias no estrangeiro, vida organizada, limpa.
A filha, a mais velha, estudante de Nutricionismo numa universidade privada, apresentava sinais claros e simultaneamente chocantes de anorexia. Esquelética, pálida, revelava no entanto autodeterminação na sua postura.
À mesa, reparei de soslaio que petiscou. Reparei igualmente que, os pais com uma descrição mais medrosa que respeitosa, pesaram mentalmente as quantidades de alimento que a garota ingeriu. Percebi que têm medo dela, da suspeita da doença dela. A mãe trazia uma cara triste e o olhar para baixo, o pai brincou com a situação enquanto devorou uma travessa de cozido à portuguesa, mais por raiva do que por fome, pareceu-me.

Apercebi-me da avalanche de preocupações que deve ter entrado nesta família funcional, e eu sou fã de ver famílias funcionais nos outros. ‘Foi uma coisa de repente’, disse-me a mãe, entre-dentes. Compreendi-lhe o receio, a incapacidade para lidar com esta nódoa imprevisível nos seus planos.
Apoiei-lhe o braço ao despedir-me e desejei-lhe boa sorte.

Que idiotice, quando ela precisava era que Deus, que não existe, descesse à Terra e se sentasse com a sua filha e a convencesse a mudar de vida!

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