F.M.I.

Aprisionada sem julgamento e culpa formada, o meu carcereiro forçado a castigar-me pelas minhas insurreições, toma o machado nas suas mãos. Contudo, contristado com a minha situação, diz-me assim:

– Vá lá, por agora dá cá os dois dedos mindinhos, que são os que menos falta te fazem!

Eu, de olhos contraídos pela antecipação da dor, de boca crispada e tensa mas sem um lamento, estendo a mão esquerda em cima da mesa, abro-a, afasto bem o dedo mindinho do anelar, deito a cara para o chão com vestígios de cobardia, medo e resignação.

Paciente mas firme, retorquiu-me ele:

– Põe em cima da mesa a outra também. Vão os dois de uma só vez.

Subo para cima da mesa a mão direita, a que tinha instintivamente protegido entre pernas. Rapidamente penso se não seria melhor mutilar somente a mão esquerda. Cederia o mindinho e o anelar. Lembrei-me no entanto que, sendo assim teria de retirar o anel que me acompanha e habituar-me a usa-lo na mão direita. E, enquanto ocupava o meu pensamento com questões supérfluas, zás!
Foi tudo tão rápido. Até parece que não doeu.

(…)

– Ai, dói. Dói, dói! Dói mesmo. Afinal dói! Merda, dói!
– E agora? Como vou parar esta sangria?
– E agora?
– Como vou conseguir agarrar num copo?

(…)

Que cepos. Que feias estão as minhas mãos.

Anúncios

Diga-me...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s