A dor da Estatística

‘Torture os seus dados por um tempo suficiente e eles contarão tudo!’
(anónimo)

Produzir estatísticas novas é uma função que dói. Dói mesmo.
Primeiro pensamos na metodologia para ‘atacar’ os dados, esquema de agregações para tornar os milhões de linhas em milhares, nunca resumir demais nem de menos, por forma a garantir representação temporal fidedigna, criar condições para cruzamentos vários imaginando uma vida multidimensional aos números, por tipo, por classe, por grupo, por área, por série, por ano, por dia, garantir uniformidade na apresentação dos valores, coerência nos dados e sobretudo conhecer as suas origens e exactidão.

Quando começamos a olhar para as linhas resultado, enchemo-nos de orgulho, por o programa se ter executado e milagrosamente ter chegado ao fim, e por nos presentear com aquele fruto tão desejado, tão rico, de onde, pensamos empolgados, vamos conseguir concluir e extrapolar decisões importantes.

Passo seguinte, fazer quadros, tabelas, matrizes, porque é aí, que os estatísticos com o seu olhar acutilante, digno de bisturi de alta precisão, conseguem relacionar o facto com o seu respectivo valor e os factos uns com os outros. É nesta fase que se apodera a angústia, do estatístico:

– estará correcto este valor?
– porque será tão alto?
– serão comparáveis?
– e se eu pusesse isto em gráfico, para analisar a curva?
– não me terei enganado?
– não estava nada à espera disto!

Aceitar e assumir valores, nesta fase já estatísticas, é um processo sério para quem as produz. Tem de se acreditar nelas, recuperar na memória e sistematizar todos os passos, cálculos, intervalos e algoritmos, usados para as criar, e defende-las aquando da sua apresentação, ainda que, os valores não sejam ‘simpáticos’ e os desejados. O técnico estatístico, terá ainda uma missão importantíssima e quantas vezes inútil, guarda-las à tentação, humana é certo, de poderem ser manipuladas e maquilhadas.

Hoje produzi umas estatísticas interessantes, eu pelo menos gosto delas, do que representam, do que me dizem, do que me fizeram descobrir. Mas estou ansiosa por amanhã, chegar perto delas, olha-las melhor.
Será que não me enganei?

‘No futuro, o pensamento estatístico será tão necessário para a cidadania eficiente como saber ler e escrever.’

Herbert George Wells (1866 – 1946)

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