Ensaio sobre a Adolescência – I

Sou mãe de uma rapariga e de um rapaz. Jovens.
Não quero generalizar mas referindo-me à minha experiência, noto que o rapaz tem muito mais questões complicadas de ultrapassar e gerir na vivência familiar ao atravessar a “nobre” fase da adolescência.
O rapaz é mais impulsivo, é mais agressivo, tem imensas transformações físicas que o devem deixar louco e tem sobretudo uma necessidade intrínseca de marcar o seu terreno. Como se de um animal jovem se tratasse e precisasse de marcar com urina os seus domínios, ainda que esses territórios não lhe pertençam, trava lutas por tudo e por nada, o que na minha opinião são ensaios corporais de teste à sua força e musculatura que ainda desconhece.
Sem dúvida que um rapaz jovem adolescente em casa, é um “objecto” interessantíssimo de estudo, mesmo que, simultaneamente, seja um pequeno “demónio” que consome as energias disponíveis da família que o rodeia.
O meu “rapaz-demónio”, é ao mesmo tempo um devorador de carinhos que, não os pedindo, porque o orgulho e a virilidade não lho permitem, eu mãe, tento suprir da melhor maneira.
Escrevo esta pequena nota porque tenho pensado bastante no caso macabro, do miúdo, Renato Seabra mas principalmente na sua mãe. Quantos avisos não terá feito esta mãe ao seu filho, acerca do “mundo luxuoso e novo” em que se estava a meter?
Quantos avisos, para terem cautelas, cuidados, não fazemos aos nossos filhos? Quantos? Quantas vezes as chamadas de atenção não tomam tonalidades mais severas e terminam em discussões e zangas de ambas as partes? Quantas vezes não chega a mãe ao seu quarto transtornada ainda, por se ter insurgido com o seu filho, com vontade de chorar, de se render? Quantas?
Para educar um filho é necessária uma conscientização muito grande para que todos, mãe, pai, avós, tios, amigos, se sintam envolvidos no processo. Julgo mesmo que a sociedade inteira é igualmente responsável pela educação dos mais jovens e das novas gerações.
Se pensar bem, chego a sentir-me culpada por ter assistido à exposição daquele miúdo num écran de televisão, despido, provocante na sua lindíssima e jovem virilidade e de o ter deixado entrar num mundo fantasioso de ambição e deslumbramento.

Amanhã há reunião na escola com a Directora de Turma do meu rapaz. É importante estar nas reuniões de pais. Ir às reuniões da escola é dar atenção aos nossos filhos, é dar-lhes carinho. Notem que, por vezes, os jovens tentam pedir ajuda e, mesmo achando que o filho ultimamente está “estranho”, muitos pais consideram isso como normal, “coisa de adolescente, vai passar, é só uma fase”. Há que observar estes sinais. Podem dizer muito sobre questões emergentes que precisam ser solucionadas, problemas de adaptação, dificuldades nas disciplinas da escola, mau-estar com os colegas e com os professores, ou outras causas.

Por favor, tomem conta dos nossos meninos!

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One thought on “Ensaio sobre a Adolescência – I

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