Palavras

palavras2

Quando me sinto só,

Recorro às palavras,

Como se fossem o que me resta.

 

Em desespero,

Pego nelas, esquecidas, mas vivas…

 

Como peças de madeira,

Unidas por um elástico.

Levanto-as do chão

E tomam forma…

Lentamente,

Seguram-se, umas nas outras

E fazem feitios, com nexo,

Como figuras, como pessoas

Como bonecos, como animais,

Como flores, como formas geométricas

Agudas, concavas e convexas.

 

Já vivem, têm som, têm gosto,

Juntam-se em sítios certos,

Para ficarem bem,

Soarem bem,

Vaidosas!

 

Diferentes, fazem mutações,

Arranjam sinónimos, antónimos,

Sem falharem a gramática.

Querem ter nome,

Personalidade,

São superlativas,

Ou comparativas,

Interjeições,

Substantivos,

Advérbios,

Mas todas sonham com os adjectivos….

 

Belos,

Únicos,

Soberanos,

Classificam,

Medem,

Atribuem,

Dão e tiram,

Indispensáveis,

Rodeiam os nomes,

Com asas negras ou brancas

E pintam as palavras, sem cor…

 

Mas como a harmonia de uma brisa

Sobre as flores do campo,

Unem-se as palavras,

Formam frases,

Num redopio automático.

Encontram-se,

Fazem pares e grupos

E bailam em roda,

À espera de mais….

 

Começam a ter significado,

Peso,

Falam,

Explicam,

Riem,

Cantam,

Amam,

Doiem,

Sofrem,

Ferem,

Magoam,

Matam!

 

Alguém grita e pede: – Cala-te!

 

Mas são só palavras!

Sempre as palavras…

 

 

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