Vou mudar de trabalho. De colegas. De sítio.
Hoje comecei a passar o meu rol de tarefas, aplicações, processos, códigos, interfaces, programas de manipulação de dados, fórmulas, documentação, textos e até pensamentos a outros, a colegas afinal.
Quando saíram da sala – foi agora – já havia muito escuro nas janelas. Permaneci, arrumei lentamente os meus papeis, desliguei o retroprojector, fiz shut-down ao computador e no silêncio daquele espaço obscurecido vazio, chorei, chorei, chorei, como uma autentica condenada, que nem sou.
Porquê?
Porque amei passar os olhos nas linhas de programas, escritas, rescritas e comentadas, porque adorei olhar as setas representativas de eficientes workflows para encadeamento de tarefas, porque me ri a olhar certos ficheiros – os trabalhosos – aqueles que tantas vezes me levavam a esfregar os olhos lacrimosos de cansaço pela concentração que exigiam, porque gargalhei ao encontrar as minhas directorias de lixo, restos que vou deixando sem nunca deitar fora que posso precisar – \aa ou \bb – porque me admirei com a clareza dos meus manuais, porque foi quase crítico reconhecer-me na correcção das palavras e porque me acudiu uma ponta de orgulho – coisa que para mim e de mim é extremamente difícil de sentir – pelo peso da bagagem que aqui deixo.
Foi este desvanecimento, esta mistura de obra feita e de saudade, já, que me fez afluir em golfões as lágrimas grossas que sujaram a mesa de melamina em tom de mogno escuro.
Ainda bem que há a escrita.
Isto hoje não está nada bem…


quem diz directorias em vez de pastas. ou dir´s em vez de folder´s está perto de mim :)
é como ter andado comigo na escola :))
sorte Luisa
paulo
Eu, informática me confesso: digo directorias ou directórios, há coisas que continuo só a fazer em DOS, jamais direi ‘printar’, sofro da angústia do programador, tenho relutância em fazer backups mas quase sempre os faço, tudo se faz com um script, entre web e bases de dados? bases de dados, claro, Integration Services? a melhor invenção do século.
Os informáticos são como o Pingo Doce, há sempre um por perto de nós.
informáticos que sabem o que é DOS e que dizem “dois directórios abaixo ou acima”, peço desculpa mas não há nada um sempre perto de nós. os que são como o pingo doce sim. mas esses sabem de copy/paste do google não é? :)
já fui programador e analista de sistemas. sei muito bem dessa angusia. conheço a relutância aos backups :) vivi anos a fio dentro de empresas, em que a expressão “vou ali à casa das máquinas” era corrente. os computadores tinham que estar isolados do pó. do frio, do calor. as impressoras eram do tamanho dos carros :))))
era quase pago à folha escrita de cobol. já pouco me lembro dos detalhes, mas tenho a sensação que, sendo preciso, reaprendia tudo num minuto :D
não é melhor nem pior a vida de um programador. é diferente :)
pois…
Belo texto.
Para depois de eles saírem da sala – sim, já saíram – …
Para depois de eles saíram da sala, que é quando acabar de se despedir, por ora, desse seu momento: bom rumo!
Muito obrigada Porfírio.
‘Que a força esteja comigo’, e olhe, consigo também!
Tudo de bom então na nova janela…..
Será q vai ser? Começa uma grande nervoseira.
Mas muito obrigada.