Bola de Berlim

(…) os rendimentos do estado grego devem dar total prioridade ao pagamento futuro do serviço da dívida (…), o parlamento grego deve transferir a soberania sobre o orçamento do país (…)
(in Expresso)

“Os alemães roubaram até os cordões dos sapatos aos gregos.”
(Mussolini)

Okhi, que significa Não, é dia feriado na Grécia comemorativo da rejeição ao ultimatum, promovido pelo ditador Benito Mussolini que aliado a Hitler na 2ª Guerra Mundial, pretendiam entrar em território grego para ocupar posições consideradas estratégicas para as forças do Eixo. A negação de autorização pelo 1º Ministro grego Ioaniss Metaxas, conduziu à invasão italiana no dia 28 de Outubro de 1941, sem que antes tivesse exclamado: - Assim é a guerra!

A ler, toda a história da invasão à Grécia e devastadoras consequências durante a 2ª Guerra Mundial.

e

A Moody’s, fundada em 1909, não viu chegar a crise bolsista de 1929. Admoestada pelo Tesouro americano por essa falta de atenção, decidiu mostrar serviço e deu nota negativa à Grécia, em 1931. A moeda nacional (dracma) desfez-se, os capitais fugiram, as taxas de juros subiram em flecha, o povo, com a corda na garganta, saiu à rua, o Governo de Elefthérios Venizelos (nada a ver com o Venizelos, atual ministro das Finanças) caiu, a República, também, o país tornou-se ingovernável e, em 1936, o general Metaxas fechou o Parlamento e declarou um Estado fascista. Perante a sua linda obra, a Moody’s declarou, nesse ano, que ia deixar de dar nota às dívidas públicas. Mais tarde voltou a dar, mas eu hoje só vim aqui para dizer que nem sempre as tragédias se repetem em farsa, como dizia o outro. Às vezes, repetem-se simplesmente.

Strange Fruit

Esta de haver cavaquistas a pôr o patrão contra Victor Gaspar não vai dar bom resultado. É que me dá a sensação que se esqueceram que os dois, irmãos de sangue não serão mas, que ambos saíram da casa do mesmo pai, e a família meus senhores, falará sempre mais alto qualquer que seja a dimensão do problema. Gente estúpida.

Depois retive umas frases do papaguear infantil de António José Seguro, que dizia umas coisas como, ‘o governo está a matar os sonhos dos portugueses’, ou ‘as políticas do Governo denotam uma paixão, uma obsessão pela austeridade’, e para cúmulo, ‘se hoje fosse primeiro-ministro também tinha que adoptar medidas de austeridade, mas queria ter, pelo menos, mais um ano para consolidar as nossas contas públicas’.
Não sei, mas a mim dá-me a impressão que ele está a pedir aos outros meninos que o deixem também brincar, não é?

E a Kodak ter falido (só soube hoje), a Livraria Portugal a fechar e os velhos a morrer sem ninguém como morrem os peixes num aquário?

Bem, o pequeno apontamento na capa do Negócios de hoje, ‘saiba o que tem de fazer se não conseguir pagar a casa’, é com toda a certeza, the Last Call to the hell. Sim, isto é já um inferno.

Resta-me a música, esta tão minha, mas isto que estou a viver é tudo tão estranho, não entendo nada. Mas que raio de coisa!

Southern trees bear strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black bodies swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the popular trees

Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolias, sweet and fresh
Then the sudden smell of burning flesh

Here is fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for the trees to drop
Here is a strange and bitter cry

Castro Marim

Com a mesma produção das excelentes reportagens, Portugueses pelo Mundo, apanhei hoje o 4º episódio do, Viagem ao Centro da Minha Terra, em Castro Marim, vila que conheço tão bem e me é tão querida, de tantos anos fui para ali a banhos algarvios. Estas reportagens têm o bom gosto de mostrar o Bom, pela naturalidade dos residentes que embora orgulhosos pela sua terra, não caiem no deslumbramento bacoco de dizer frases tão típicas como, ‘não percebo porque se vai ao estrangeiro quando o nosso Portugal é tão bonito’. São reportagens focadas nas pessoas que habitam os locais e mostram-nas a saber tirar partido e rendimento das zonas que habitam, dando ênfase à relação homem natureza e como se estão a restabelecer essas umbilicais relações. Um conceito de reportagem extremamente inteligente e funcional.

Aqui fica, linda, a Vila de Castro Marim.

Makeup

Ao serão, gosto muito de beber uma chávena de chá de erva cidreira e ver o Extreme Makeover.

Quando chega à parte de pedir para afastar o camião, grito baixinho com eles:

MOVE THAT BUS, MOVE THAT BUS

Depois, à medida que avançam pela casa e a vêm linda, amazing e terrific, exclamo com eles:

OH MY GOD! OH MY GODNESS!

Como eles, vou também chorando pela casa, de quarto em quarto e nas casas de banho, por estar tudo tão bonito, por vermos fotografias da casa antiga e por saber que são todos muito boas pessoas e ajudam muito a comunidade local.
Nunca sei se bebo chá ou lágrimas na minha chávena de poesia. Limpo o pingo às costas da mão ou à manga do casaco, fungo alto e sorvo o ranho.
Hoje foi assim.

Futebol

O meu filho começou a jogar futebol na equipa da instituição onde trabalho. O puto é ágil, corredor de fundo, finta com um corpito esguio uns homenzarrões de respeito e veste a camisola pela instituição, coisa que eu própria nunca fiz. Tornou-se conhecido pelos homens da segurança, pelo pessoal auxiliar, pelo corpo do grupo desportivo e quando apareço pelos treinos, junto com ele, não sou colega, nem tenho nome, sou simplesmente, a Mãe do Miguel.
Este Sábado levei-o ao jogo da liga que disputam na qual, como faz gala em me dizer, é titular indiscutível, e sendo o campo no Cú de Judas, decidi por lá ficar na companhia do último da Allende, que se tornou numa completa avózinha e ultimamente deu em escrever umas coisas leves para a sua prole infanto-juvenil, mas que continuo a amar em memória da Paula, da Casa dos Espíritos, da Afrodite, do Retrato de Sépia, da Filha da Fortuna e da Inês de minha Alma, e a ler, pela limpidez e despretenciosismo com que continua a escrever.
Durou pouco a minha leitura, porque comecei a ficar deveras interessada no vocabulário expressivo dos jogadores em campo. Estão constantemente a chamar-se uns aos outros, mas cada equipa distingue a voz do adversário com um sentido de audição que me pareceu transcendente por tão perfeita sintonia.
Retive um conjunto de interjeições que passo a enunciar e que, informo, foram todas pronunciadas repetidamente em frases duplamente exclamativas ou interrogativas.
Ei-las:

1) tenta jogar lado a lado!
2) é nossa, foda-se!
3) prá frente, passa a bola meu!
4) tira, tira, tira!
5) ajuda o Zé Maria, caralho!
6) ganha André, ganha!
7) está um a mais lá atrás!
8) olha prá bola, caralho!
9) foda-se, caralho, nem joga nem deixa jogar!
10) olha as tuas costas!
11) metam ordem nos ‘gaijos’, caralho!
12) olha a defender, olha a defender!
13) ‘num’ brinca aí!
14) chuta!
15) calma Daniel, deixa, deixa!
16) abre Amaral, abre!
17) fica lá, fica lá!
18) não foda-se, está fora da linha!
19) estás de gatas, meu?
20) isso não é nada, Sôr Árbitro!
21) falta meia parte, vamos lá ganhar esta merda, pá!
22) desce, desce, desce!
23) mais perto João, não és nenhum super-homem!
24) olha prá bola, deixa receber, vai com ela!
25) é falta, caralho!
26) bascula, bascula!
27) bem jogado malta, foda-se estava a ver que não!

Os homens assim todos juntos, faz-lhes tão bem…

The Girl with the Dragon Tattoo

Venho do 1º episódio da trilogia Millenium, este, The Girl with the Dragon Tattoo, a que os brasileiros chamam, Os homens que não amavam as mulheres e por cá o cognome ficou, Os homens que odeiam as mulheres. O filme é belíssimo e de uma violência atroz.
Contrariamente ao que diz o Jorge Mourinha no Ípsilon, na minha opinião a Rooney Mara vai muitíssimo bem no papel da Lisbeth – hacker, gótica, urbana, habituada a junckie food e a não ter amanhã. Protagoniza cenas incríveis, e não vejo que mais se possa pedir a uma miúda com um ar terrivelmente frágil que incomoda os espectadores do principio ao fim.
O design da Opening Sequence do filme é do melhor que tenho visto e a banda sonora, um estrondo.

Mas deixem que vos diga, os títulos português e brasileiro são completamente idiotas, porque ali, quem odeia os homens são as mulheres, e com toda a razão. Como sempre.

Prazeres

C A N D U R A

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.

(Bertold Brecht, in ‘Do Pobre B.B.’)

C A M P E S T R E

C A R N A L

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

(Florbela Espanca, in ‘Charneca em Flor’)

O Trabalho

Portanto, legislação e consequente escravidão já temos igual, não sei, mas se calhar estava na hora de mandarem vir as taças e os paus pró pessoal começar no arrozito, não é verdade?

Que vergonha!

Que ordinários!

Só há vantagem em substituir um homem por uma máquina, desde que esse homem encontre trabalho noutro local.
(Jean Sismondi)

BimbyTuga

Eu acho que a ideia dos pastéis do ministro não é descabida de todo, o desgraçado não sabe é nada de marketing e não consegue fazer passar fantasia nenhuma a este público nacional ainda por cima tão pouco exigente. Senão vejamos, os pastéis não têm de chegar ao destino sob a forma de pastéis de Belém, cozidos, folhados e quentes, como os vemos na pastelaria junto à fronha do Presidente. O Marcelo Rebelo de Sousa que é daqueles gajos que fala de tudo, generalista e intriguista, na televisão e em directo, quando comentou outro dia a veleidade do gordito em vender pastéis, dizia que eles só são bons é quentinhos e não sei mais o quê, mas a esperteza esqueceu-se do essencial – da maravilhosa e vendável tecnologia que se pode aliar a um simples nata.
Para bater as natas é preciso uma máquina, então, que tal exportarmos o creme pré-manufacturado em Portugal, mantendo obviamente o famoso segredo guardado a sete chaves, e por associação exportarmos também uma maquineta igualmente produzida na nossa terra, que vendêssemos como imprescindível para terminar a batedura da massa, designada por BimbyTuga, MexeMexeqEuDeixo ou para internacionalizar, CreamShake Machine? E se depois, para que a cozedura dos pastéis fique no ponto e consistência, inventássemos que era preciso o forninho HotTuga, fabricado igualmente pela nossa gente, que engenheiros e operários temo-los cá de qualidade, vendável em três tamanhos de acordo com o objectivo do investimento, com manutenção eficiente e assegurada pelos técnicos portugueses?

Eh pá, é assim, a ideia parece-me tão brilhante que só estou à espera e a partir deste momento que alguém com nata no bolso me contacte para darmos andamento ao projecto. Sim, porque não julguem os senhores que por lhes contar esta bright idea, ficam a deter todo o knowhow que sobeja nesta cachimónia!
Vamos nessa, Vanessa?

Grave, grave, é o ministro Álvaro, dizer na televisão e em directo com um dos filhos às cavalitas, que tinha muito gosto em estar ali, (já nem sei onde era), porque podia estar com os seus ‘filhotes’. Filhotes?! Leram bem? Dizer, crianças, garotos, catraios, miúdos, filhos, está certo, agora ‘filhotes’, a mim dá-me uma acidez no cólon que me põe numa chaga.
Credo!

As minhas Nabiças bebés

Ao fim de dois meses e meio de trabalho, colhi hoje o primeiro fruto da minha horta: um molho de Nabiças!
Estou muito feliz com este meu projecto e orgulhosa por fazer nascer legumes, para além de filhos que já tinha a certeza. Outro facto que me dá uma desmedida satisfação é que vou comer este belíssimo molho de nabiças gourmet, sem ter de pagar por elas o estupor do imposto, cujo valor, seria depois gerido pelos facínoras que nos governam.
A saborear este magnífico manjar, ponho o meu dedo médio em riste e encolho o indicador e o anelar – ora toma!

Esparregado de Nabiças

1 molho de nabiças tenras
4 dentes de alho
4 colheres de farinha
0,5 l de leite meio gordo
6 colheres de sopa de azeite
Sal, a gosto

Preparação:

Depois de bem lavadas, cozer as nabiças em água temperada com sal.
Escorrer a água e picar as nabiças com a varinha.
Num tacho, aquecer o azeite e juntar os alhos esmagados. Deixar refogar um pouco em lume brando e de seguida adicione a farinha, mexendo bem para dissolver a farinha e evitar a formação de grumos.
Incorporar as nabiças picadas e misturar bem. Juntar o leite e deixar cozer durante 5 minutos, em lume brando, mexendo sempre.

Sopa de Nabiças

1 dente de alho
1 cebola
1/2 alho francês
1 dl de azeite
2 balatas
2 cenouras
80 g de paio
1,5 l de água
1 molho pequeno de nabiças
350 g de feijão branco cozido
1 ramo de hortelã
sal e pimenta q.b.

Preparação

Descascar e cortar em pedaços o dente de alho, a cebola e o alho francês. Refogar no azeite. Entretanto, descascar as batatas e a cenoura e cortar em rodelas, assim como o paio.
Juntar tudo ao preparado que se encontra ao lume e deixar também refogar um pouco. De seguida, regar com a água e deixar cozer durante 10 minutos. Arranjar as nabiças cortadas em pedaços.
Temperar com sal e pimenta e adicionar o feijão e as nabiças. Deixar cozinhar por mais 10 minutos e rectificar os temperos. Servir bem quente, com um raminho de hortelã.

Arroz de Nabiças

1 ramo de nabiças (ou de espinafres)
2 copos de arroz carolino
1 cebola grande picada finamente
4 colheres (sopa) de azeite
2 dentes de alho picados finamente
4 copos de água quente
sal & pimenta moída na altura

Preparação

Arranjar as nabiças, aproveitando unicamente as folhas e as pontas mais tenras. Lavar e escorrer muito bem. Reservar.
Refogar a cebola picada no azeite aquecido até ficar translúcida, sem deixar queimar. Juntar os alhos picados e as nabiças. Saltear até as verduras se apresentarem murchas.
Adicionar o arroz e envolver muito bem. Regar com a água. Temperar com sal e pimenta. Levar a ferver e cobrir com uma tampa.
Reduzir o lume e deixar cozer até o arroz ficar solto e ter absorvido o líquido. Deixar repousar por 5 minutos fora do lume antes de servir.

Sopa de feijão

Brinquei com a tampa azul da garrafa de plástico à mesa do jantar, entretive os dedos esguios com exercícios de equilíbrio, revirei-a em ondulações, saltitei-a na mão, descansei-a sobre a toalha de algodão verde com desenhos vermelhos de maçãs pressionando-a com o dedo indicador, peguei nela outra vez e recomecei a brincadeira. Olhei o infinito no quadrado pequeno da minha cozinha, pensei em como chorariam os meninos da Grécia quando os seus pais os entregavam aos lares de acolhimento por não os conseguirem sustentar, questionei-me como os levariam até lá – talvez à noite embrulhadinhos numa manta para não darem conta de nada, ou de dia como se fossem para a escola e no final ninguém os fosse buscar. Como chorarão os meninos gregos moreninhos como os nossos? Arranhei-me nos filamentos soltos da tampa azul enquanto a engalfinhava por entre dedos e pensei nos pais dos meninos gregos a fecharem os quartos e as casas que já não podem pagar, a encherem uns sacos com haveres e saírem porta fora, já sem os filhos pela mão, na liberdade do inferno da rua, amarrados na pobreza que ganharam num concurso de televisão.
Irritei-me com a tampa. Dei-lhe um empurrão com os dedos firmados em mola como se atira um berlinde, chocou contra a base de um copo, fez ricochete e enfiou-se debaixo da borda do prato de sopa de feijão. Fechei os olhos e entrei no cinema com o filme a começar, havia uma família espanhola que alugava uma parte de casa com serventia de cozinha e quarto de banho. Já tiveram uma, compraram-na num tempo próximo deste, quando lhes disseram que podiam ter um lar e se convenceram que podiam ser assim, felizes, mas agora já não têm porque não a conseguiam pagar. Levantei-me da mesa, entrei na casa de banho anexa ao meu quarto e sentei-me na retrete. Reparei que os frasquinhos de maquillage estavam desarrumados em cima da pedra que encastra o lavatório, a escova do cabelo com restos do penteado da manhã, os champôs de tampa aberta e o creme do corpo caído. Lembrei-me dos que partilham casas de banho, que levam tudo num saquinho de pano para ir e vir dela até ao quarto. Preocupam-se em não deixar suja a sanita, limpar os cabelos do ralo da banheira, deixar a borracha pendurada, a ordem da cerimónia do estarmos com alguém. Puxei a descarga do autoclismo sem ter feito nada, ajeitei uma toalha de rosto no toalheiro, voltei à cozinha e a tampa azul enfastiada olhou para mim. Deitei-a fora de supetão. Descasquei uma tangerina sumarenta e meti-a à boca com vontade. Lembrei-me das famílias portuguesas onde já não se janta porque não há, não se pode. Os garotos almoçam na escola que o apoio social dá uma mão, e à noite lá se arranja um Nestum, uma Cerellac, um bocadinho de pão. Faz-se um esforço por cozinhar o nada na panela com uns fios de esparguete. Lambi o mel da tangerina da mão.

Distraí-me das conversas da mesa, envolvi-me despedaçada no silêncio das mágoas dos outros – no saco com o peluche mais querido daquele menino que a mãe lhe arranjou para levar, nos dois jogos de lençóis de cama trazidos para as mudas de roupa no quarto alugado, nas riscas de massa a boiar no tacho de alumínio no apartamento novinho de Mem-Martins.
Cortei a casca de tangerina em tirinhas finas com uma faca de serrilha afiada. A precisão da faca na casca mole desenhou lindos pauzinhos cor de laranja no prato de sopa comida.
E amanhã como será?

8ito

Bora lá ver

Eu vi. É magnífica.
A Oito apresenta-se assim:

Oito Magazine é uma publicação de distribuição online, gratuita e de periodicidade bimestral.
Dedicada exclusivamente à fotografia portuguesa, assume-se como uma fonte de inspiração para todas as disciplinas artísticas e criativas das quais a fotografia faz parte integrante.
Cada edição da revista terá um tema específico, o qual os artistas seleccionados serão convidados a interpretar através de imagens.
Em cada nova edição, um novo tema e novos convidados.
Qualquer indivíduo ou colectivo, cuja relação com a fotografia seja de natureza amadora, é livre de submeter o seu trabalho à consideração da revista.
Oito Magazine pretende assim também ser um importante meio de divulgação do trabalho de artistas amadores que apresentam um olhar e uma abordagem singulares.

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Ai, esta história...

Se eu soubesse tirar retratos …