Este artigo de Porfirio Silva, numa explicitação magnificente, não é para ser lido por toda a gente. É para ser lido, por quem tem o dom do entendimento da razão:
Uma das razões pelas quais o governo português queria evitar, ou pelo menos atrasar, o pedido de ajuda externa consistia na percepção de que Portugal seria o primeiro beneficiário de uma nova estratégia da UE e da zona euro, que optasse por uma protecção mais eficaz de todos os seus membros face aos ataques especulativos. Essa nova estratégia, quer da UE quer do FMI, permitiria ou evitar a necessidade de ajuda, ou fazer com que as condições da ajuda tivessem menos efeitos recessivos e fossem mais amigas do crescimento. Esse percurso político na cena europeia estava a ser feito – mas devagar, por haver outros governos que, à beira de eleições, não queriam aprofundar esse tema junto dos seus eleitorados. O chumbo do PEC IV, com a consequência do derrube do governo, teve também a intenção de evitar que essa espera táctica desse resultado: se isso salvasse Portugal da ajuda externa, ou tornasse a ajuda externa mais doce, esse facto salvaria também Sócrates – e isso era algo que as oposições de todo não queriam.
in Machina Speculatrix renegociar a dívida como tema de campanha eleitoral
