Levantei-me cedo já mais desenvolta de 3 dias de alucinação pela geral que levei. Tomamos um café e um beijo e partiste.
Manhã de Sábado começada, fui à fruta e legumes no mini mercado habitual que me garante produtos nacionais e me deixa apalpar os frutos como quem acarinha o rabiosque de um bebé.
Cedo comecei a escutar a miúda da caixa, uma brasileira despachada, que contava ao colega do lado, e completamente alheia à minha presença, a razão pela qual teve de fugir do Brasil. Namorava com um homem casado e contava com visível prazer os escandalosos encontros que tinha com ele a qualquer hora do dia, frisou bem, em estações de serviço, casas de banho de cafés, moteis, carros, descampados, etc. O colega também brasileiro, comentava: -”Puxa, devia meter fogo, né!” e ela:-”Fogo era pouco cara, aquilo era o inferno na Terra, até que a mulher descobriu”.
Deixei-me envolver pela história, e ela tão garota com a pele feia até, imaginei-a medusa sedutora de um homem mais velho que lhe arrebatava as estribeiras da decência e o levava a cometer crimes emocionais. A novela iria continuar por mais tempo, deve ter havido unhas afiadas, desculpas esfarrapadas e corações destroçados, mas num acto mecânico tinha levado as compras até ao fim.
Em casa verifiquei que me esqueci da salsa e das maças na caixa.
