Natura

Estou na 2ª Primavera na minha actividade de horteloa. Reconheço-me muito mais experiente, madura e bem preparada para todos os desafios que a agricultura praticada num ambiente pouco hostil me impõe. Cada vez gosto mais e quero mais, é como fazer amor. O interessante é verificar que tal como eu a minha terra e as plantas que passaram de um ano para o outro, também se tornaram mais adultas e com muito melhor frutificação e beleza. É interessante partilhar este mútuo crescimento. Entretanto estou realmente a pensar crescer enquanto produtora agrícola e estou já à busca de um pedaço de terreno que pela compra torne meu, onde possa desenvolver uma coisa mais séria e quem sabe lá um dia me arraste de vez do escritório e das consecutivas horas de ar condicionado que me estiolam o rosto e a alma. Relatar estas fases do meu progresso é como tomar notas no meu caderno de bordo, certamente me ajudarão a não desanimar nos múltiplos entraves que sinto e já vou encontrando pelo caminho.

minha horta meu amor

Os gladíolos nasceram com os bolbos do ano passado que retirei da terra em Novembro de 2012, mantive num lugar seco durante o Inverno e voltei a plantar em Fevereiro de 2013. Estão belíssimos e mais altivos do que no 1º ano.

Os gladíolos nasceram com os bolbos do ano passado que retirei da terra em Novembro de 2012, mantive num lugar seco durante o Inverno e voltei a plantar em Fevereiro de 2013. Estão belíssimos e mais altivos do que no 1º ano.

Flor da planta da Camomila. À roda dela há um cheiro fabuloso, que me trás abelhas e insectos absolutamente necessários à restante horta.

Flor da planta da Camomila. À roda dela há um cheiro fabuloso, que me traz abelhas e insectos absolutamente necessários à restante horta.

The Great Gatsby

Fui ver o The Great Gatsby. Só tenho uma expressão: F A B U L O S O !

gatsby

fotos do filme

Não sei porquê, mas apeteceu-me fotografar a única peça Art Deco que tenho em casa. Este maravilhoso globo de vidro que encontrei no chão de uma loja de ferragens.

Não sei porquê, mas apeteceu-me fotografar a única peça Art Deco que tenho em casa. Este maravilhoso globo de vidro que encontrei no chão de uma loja de ferragens.

e afinal quem é que a mulher escolhe entre a paixão e o resto da vida? quem é, quem é? a bendita-maldita segurança, exactamente, olaricas se escolhe. 

Di Caprio, genial.

muito fiel ao livro

Ganhar asas

procissão

A minha avó alugava fatinhos de cetim que as crianças usavam nas procissões que se realizavam na Beira em honra de Santos e Padroeiras que abençoavam a região –  ele era de São João Baptista, de Santa Isabel, de Senhora de Fátima, de Pastor, de São José, de Nossa Senhora dos Remédios e de Anjo. Mandava vir alguns de Coimbra para lhe servirem de modelo e os tamanhos maiores e mais pequenos eram feitos lá em casa pela Menina Judite (2), costureira da terra, a que sempre chamámos de Menina porque nunca se casou, com tecidos, tules, rendas e arminhos que eram encomendados em Lisboa.
Nas férias, quando ía para casa dos meus avós havia um dia em que subia as escadas até ao sótão, onde estavam empilhadas umas caixas enormes brancas de cartão que continham nada mais nada menos dos que as asas (1) de anjo dos fatos, retirava-as para fora com todo o cuidado e atava -as ao meu corpo com umas fitas de nastro que delas pendiam. Todo o santo dia andava com as asas de pelúcia e tule às costas, facto que, pensava eu, me tornava numa menina encantada e me permitia voar sempre que me apetecia.
Quem me dera poder tê-las agora.

(1) Acerca das Asas, Clarice Lispector, e vou ver se ainda amanhã vou ver a sua exposição à Gulbenkian dizia assim: «Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? Eu adoro voar.»

(2) Tenho muito mais coisas para contar da personagem «Menina Judite»

Inconstâncias

Eu, hoje, em Maio de chuva em Lisboa, com roupas de Inverno e sapatos de Verão. À noite nas leituras encontrei esta pérola. Por acaso também já sabia dos Invernos nas Primaveras.

Eu, hoje, em Maio de chuva em Lisboa, com roupas de Inverno e sandálias de Verão. À noite nas leituras encontrei esta pérola. Por acaso também já sabia dos Invernos nas Primaveras.

16.5.13

 

Confesso-te que a tua inconstância me ofende.
Sempre defendi a liberdade de cada ser fazer
o que lhe vem à cabeça e ao coração
não a infidelidade:
que cada um viva a fundo
as mudanças que assume.
Mas tu não:
apareces
um dia todo calorosos afagos
convences-me
a tirar a roupa
e eu solto-me para ti
radiante
desabrochada!
Mas no dia seguinte
já és outro:
gelado e de cenho carregado.
Como hoje.
Nem um único raio de Sol soltaste
para me fazeres um carinho.
Nem sequer me saudaste.
Esqueceste
os passados afagos.
Pago-te com a mesma moeda:
concentro-me na escrita e faço que não te conheço
inconstante Tempo
dantes não eras assim!
Falam de alterações climáticas
e de que a culpa é nossa!
Só sei que estou ofendida
ressentida
enfiada de novo
nas minhas roupas de Inverno!

Teresa Rita Lopes

Dentro do Segredo

Terminei hoje o Dentro do Segredo, o relato da viagem do José Luís Peixoto à Coreia do Norte.
Gosto muito do que diz o José Luís Peixoto porque o entendo muito bem, para além de gostar imenso do próprio José Luís Peixoto que acho giríssimo e com uma pinta do caraças, portanto confirmo, o livro é excelente.

2013-05-12 16.34.31

Escrevo sempre o mês e o ano após a leitura dos livros, também assino o meu nome. Só não o faço se não o termino. Os livros ficarão por aí após o meu desaparecimento, e tal como os norte-coreanos escrevem muitas palavras e dizeres nas pedras para revelar a sua passagem eu também o faço com esse objectivo: li portanto existi.

2013-05-12 16.44.44

Quando são muito bons ou são muito maus escrevo igualmente umas impressões, julgo assim, cumprir um papel de guardiã eterna do livro dos seus possíveis futuros leitores.

2013-05-12 17.54.32

(A viagem do José Luís deixou-me um sentimento de quase conhecer já a Coreia do Norte, o existir patético de 24 Milhões de habitantes. Tal como nele, foi-se avolumando ao longo da leitura uma enorme vontade de saltar a fronteira e voltar à liberdade. Bendita liberdade. Já cá estou.

«É tão fácil comparar a vida com uma viagem, faz tanto sentido.»)

Escova dos dentes

Blue tooth brush in glass

(ganhei uma nova escova dos dentes, daquelas pequenas acopladas a um tubinho mínimo de pasta dentífrica, nem o cheguei a abrir porque usei a da casa, pacotinho que vulgarmente trazemos da estadia num hotel de algumas estrelas. eu sei que o facto parece insignificante mas na verdade não é. possuir uma nova escova dos dentes que ficou dentro de um copo esverdeado que existe na prateleira de canto na casa de banho e saber que ela lá está pacientemente à minha espera, é uma experiência maravilhosa. tenho dito.)

Who is she?

Estupendo!

You say that’s your boyfriend
You say I’m out of line
Funny, he said I could call him up anytime
You can say I’m wrong say I ain’t right
But if that’s you boyfriend he wasn’t last night
Now I’m the kind of woman
I’ll do almost anything to get what I want
I might play any little game
Call me what you like but you know it’s true
You’re just jealous ’cause he wasn’t with you
Don’t mean no harm I just like what I see
And it ain’t my fault if he wants me
Got what I wanted and the feeling was right
So if that’s your boyfriend he wasn’t last night
Boyfriend boyfriend yes I had your boyfriend
Now late at night he calls me on the telephone
That’s why when you call
All you get is the busy busy tone
You’re upset ’cause you’re one stuck-up bitch
Maybe he needed a change a switch
And who am I not to oblige
Especially if the man is fly
So call me what you like
Call me what you like
While I boot slam your boyfriend tonight

IMI

imi

Com Abril a dar as últimas acabei de pagar a 1ª prestação do IMI ao Gaspar. Vivo nesta casa somente há 11 anos e tenho estado legalmente isenta do pagamento do IMI, por isso,  esta maravilhosa actualização do imposto teve um impacto desfavorável na minha carteira de cerca de 500%, pancada valente ó Gaspar! Reconheço que o homem teve a delicadeza de me permitir o pagamento em duas suaves prestações, normalidade nele e coisa que todos nós já percebemos, o tipo adora transacções às mijinhas. A minha casa, com uns valiosos 40 anos de idade foi avaliada pela esperteza saloia das Finanças em menos 10 anos. Metem nojo a dizerem-me que só a posso reavaliar daqui a 5 anos. E é isto, lá para Setembro pago o resto mais as propinas da faculdade de dois filhos, filhos estes que, após completada a formação nas actuais moribundas universidades da nação, irão por esse mundinho fora oferecer os seus préstimos a quem menos os explorar, bem como, aprender a falar uma série de linguajares, mas os portugueses até têm muito jeito para isso. Uma coisa é certa, os miúdos partirão, mas nem um nem outro lhe pagarão o IMI.

O tempo de uma mulher «pouco sábia»

Não tenho tempo nem para me coçar…

coelho

A propósito da minha actual falta de tempo, que este blog, coitadinho, tem estoicamente suportado, encontrei uma coisa escrita por uma gaja, nitidamente dirigida a mulheres, que pretende ensinar as mulheres sobre como uma Mulher Sábia deve aproveitar o tempo. A gaja ou senhora, que é a mesma coisa, certamente muito católica, diz assim:

Há uma frase que  geralmente ouço com muita frequência: “Queria saber como administrar melhor o meu tempo.”

E há uma outra que raramente ouço: “Queria saber como me administrar melhor.”

Estas duas frases são importantes, porém, sabemos que para sabermos remir nosso tempo e administrá-lo melhor é necessário que, antes, eu aprenda a administrar a minha vida.

Você pode, então, se perguntar:  “O que devo fazer para saber como me administrar melhor a fim de que eu possa administrar, de maneira, correta o meu tempo?”

Saber dirigir a vida sabiamente é a condição necessária que necessitamos para alcançar o nossos objetivos. Quando aplicamos as verdades de Deus, contidas na Bíblia Sagrada, à nossa vida diária, então, adquirimos a sabedoria que vai nos fazer colocar as nossas prioridades na ordem certa.

A personalidade de uma pessoa é moldada de acordo com a escolha  de suas prioridades”.

Como, então, saber qual é a ordem das prioridades?

E agora sim vem o melhor, a ordem pela qual a mulher nos manda gerir o tempo:

1- Tempo com Deus;

2- Tempo com o marido;

3- Tempo com os filhos;

4- Tempo com a família e amigos;

5- Tempo consigo mesma;

6- Tempo para o inesperado;

7- Tempo para planejar;

8- Tempo para o trabalho.

Seguindo esta ordem, com certeza, você irá agradar a Deus e a sua vida será administrada de modo muito mais produtivo.

Olha minha, no meu planeta existe uma coisa chamada Gaspar, que é quase Deus, e outra enfim chamada de, mulheres que fazem tudo e mais um par de botas, factores que actuam, quer sobre o Trabalho (8) quer sobre o Inesperado (6) por forma a que ocupem os primeiríssimos lugares da tua linda lista. Tás a ver?!

E depois estou super-chateda pá – perdi tempo a ler-te, escrevi uma merda de um post, são sete e meia e ainda estou aqui, sabe deus quando vou chegar a casa e o que vou jantar, os miúdos suponho devem estar vivos, o namorado estimo sinceramente que não ande enrolado com outra, os paizinhos parece que aproveitam o feriado e vão fazer uma excursão, os amigos enfim lá vão aparecendo, comigo mesma é que é pior que estou com uma neura que nem posso. Planejar, ah, aha, ah, deixa-me rir!

Instruções para salvar o mundo

2013-04-16 23.22.25

Edição de 2008, ofereceram-mo talvez em 2010, li-o agora em 3 tempos. Pelas características das personagens a história prende-nos irremediavelmente desde a 1ª página. De que fala? Do banalíssimo dia-a-dia, dos que choram, dos que bebem, dos que fogem, dos que deixaram de amar, dos que morrem, dos que se estão nas tintas, dos que fazem uma asneira, dos que perdoam. Salva-se o mundo com um pequeno gesto de comportamento de uma pessoa para outra pessoa. Pode ser meramente casual, ou por um rasgo de loucura, ou por um deixa lá, ou por um ataque suspeito de bondade, ou porque nesse dia havia qualquer coisa escrita nas estrelas. Podemos salvar os mundos uns dos outros sem dar conta de que isso vai acontecer. É o acaso, o dia exacto na hora exacta, a teoria das coincidências e a lei da serialidade de Kammerer.

Depois de se acabar este livro fica-se necessariamente a pensar. Enquanto o lemos só o queremos ler, por isso é que o pensar fica para o fim. Também se pode chorar no final, não porque termine de forma infeliz, bem pelo contrário, mas porque dependerá do formato de vida de quem o lê. Eu chorei.

Obrigatório.

E diz assim a terminar:

«É que a Humanidade divide-se entre aqueles que sabem amar e aqueles que não sabem.»

Ode à Henry Miller

Reblogged from Old Consciousness:

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Em tempos como estes que por uma questão de proteção ou de ataque bruto necessitamos nos agarrar a alguma crença para nos sentirmos vivos, eu decidi me agarrar a um deus terreno e muito maior que todos aqueles que já foram citados. Um deus pessoal? Um deus pessoal para mim. Pessoalíssimo.

A verdade encarnada, os sentidos, as sensações os sentimentos, as vontades e até mesmo a loucura e o prazer entregues à ele sem nenhuma pretensão se não almejá-lo inclinada.

Ler mais… mais 376 palavras

Constance, quem me dera ter tido a coragem e sensibilidade de ter dito isto mesmo, não só sobre o acto de ler Henry Miller, mas sim e também, sobre o facto de celebrar e querer terrivelmente exultar, neste tempo de coisas malévolas e mortas, a intensidade da vida no nosso Acto. Não é um pecado é uma bênção.

Wave

Cocktail Bukowski

Naquele dia
Vestira o meu corpo
Sem a alma,
Vestira o meu corpo
Sem a alegria,
Lavei os dentes
E esqueci do sorriso no lavatório,
Lavei as mãos
E deixei o tacto na toalha;
Nesse dia
Após o trabalho fui dormir,
Deitei o corpo
E reencontrei a alma.
No dia seguinte
Vesti a alma
E deixei metade do corpo esquecido
E a memória no secador de cabelo;
E algo inesquecível de que não me lembro aconteceu:
Porque hoje tenho a alma mutilada
E nem o corpo tenho.

Tiago Nené *

A única coisa que se aproveitou neste meu dia foi ouvir isto no final dele mesmo.

* Tiago Nené es un poeta portugués, nacido en Tavira el 29 de marzo de 1982, y residente en Faro. En septiembre de 2007 publicó el libro de poemas Versos Nus, editado por Magna Editores y en marzo de 2010 el poemario Polishop (ed: Punta Umbría, Palabra Iberica). Es fundador de Texto-Al, tertulia literaria del Algarbe. Ha traducido varios libros al portugués, entre ellos El sitio justo, de Rafael Camarasa, Agencia del Miedo, de Santiago Aguaded Landero, y Decantación, de la poeta mexicana Aida Monteón.

(gostei de ler o perfil do Tiago em espanhol, tocou-me o ouvido. estou fã do Tiago Nené)